quarta-feira, 5 de julho de 2017

[AÇÃO GAMES 008] TOTALLY RAD (NES)



Uma coisa que as civilizações futuras estudarão sobre a nossa sociedade sem conseguir entender são os games e filme bolados por executivos. Sabe, aquele cara que não é roteirista, não é diretor, ele sequer tem uma idéia. É só um tiozão com mais de 40 tentando adivinhar o que o seu publico alvo quer através de planilhas e estatisticas, sem nem cogitar... sei lá... ir lá e falar com eles?

Totally Rad é um desses exemplos em que engravatados tentaram bolar um jogo infinitamente descolado para arrasar com a molecadinha, manja bro? E o resultado foi totalmente constrangedor, é claro.

Capa japonesa totalmente não radical do jogo
Magic John é um jogo de plataforma da Jaleco lançado no começo dos anos 90 sobre um garotinho aprendiz de mágico que precisa salvar sua amiga de um exército de criaturas do subterraneo. Tudo muito bonito, tudo muito fofo.

Fofo até demais, pensaram os produtores americanos e decidiram dar uma "descolada" no jogo. O menininho John virou o adolescente super maneiro Jack,  que precisa salvar sua super gata dos cara du mauuuuuu. Sim, ele só fala em uma linguagem muito maneira e descolada, coroa! Até o manual de instruções recebeu uma paginada super da hora, porque é uma brasa, mora?


Pq que manual totalmente descolado é completo sem a foto de uma super gata de responsa, né?


... sim, o jogo é todo falado assim. Porque como eu disse, executivos tentando adivinhar o que as crianças achariam legal quando o maior contato que eles devem ter tido com crianças foi assinar o cheque da pensão alimentícia.

Esse jogo concorre ao prêmio de jogo mais anos 90 de todos os tempos, eu tenho calafrios de vergonha alheia só de pensar nisso. Quer dizer, sério?

Mas enfim, vamos falar sobre o jogo em si. O pequeno Magic John virou nosso pequeno Kylo Ren Jean Ralphio descoladão, mas o jogo é basicamente o mesmo... e é surpreendentemente bom!

A jogabilidade lembra muito a série Mega Man, ele não é exatamente um clone do Mega Man, mas o jogo funciona mais ou menos da mesma maneira (muitos dos inimigos são copiados diretamente, inclusive os capacetezinhos amarelos). Igual ao bombardeiro azul, você terá que avançar matando estranhas criações mecânicas disparando algum tipo de energia.

O personagem principal ainda tem um mega buster como Mega Man. Infelizmente este mega buster não é tão útil, porque não podemos pular com ele, então só podemos usá-lo quando estamos no chão. Estranho, mas ok. Enquanto o Mega Homem recebe ataques especiais dos chefes, aqui nosso herói também tem a capacidade de usar a magia e esse é o grande diferencial do jogo: o uso das magias.

Que dialogo é esse, SEM OR!
Existem duas magias de cura (uma recupera meia vida, outra gasta mais mana e cura a vida toda), uma de invencibilidade temporária e outra que congela todos os inimigos na tela. Essas magias só podem ser usadas na forma humana.

Tem também uma magia que te transforma em um homem-peixe (para as fases aquaticas), outra em um homem passaro que pode voar e uma terceira que vira um homem tigre - que tem invencibilidade quando pula, mas só ataca quando parado no chão.

A variação entre formas e magias é impressionante para um jogo de NES e você tem que alternar entre elas durante o jogo para conseguir avançar - até porque é um jogo bem dificil.

"Monstro CDF", Ação Games?!?

Até este ponto, embora estranho, tudo parece muito legal, e sim, poderia ter sido um jogo de ação bastante bom. Infelizmente,  Totally Rad tem duas uma falhas, muito grandes.

A primeira é que não existe como ganhar mana dos inimigos, a que você começa a fase é a que você tem até o fim - e considerando que o gimmick das magias é o grande atrativo do jogo, isso é um pecado capital.

O outro grande problema do jogo é que temos que vencer cada estágio sem morrer (o jogo está dividido em quatro atos, cada um com dois ou três estágios), tudo bem porque os estágios não são realmente tão difíceis ou longos. O problema vem com a batalha com o chefe, temos que vencer o chefe na mesma tacada que a fase. Sabe quando você morre no Mega Man e começa naquele corredor antes do chefe? Pois é, imagine se você tivesse que fazer a fase toda de novo... é exatamente o que acontece aqui. Frustrante é pouco.

A jogabilidade é boa, mas precisava de algumas melhorias, especialmente itens para curar e recuperar mana.

Os gráficos estão muito bem feitos, especialmente os cenários (muito ricos) e os chefes (enormes e muito detalhados). O único problema é que os inimigos são de apenas uma cor e com tons muito brilhantes, dessa forma mesmo que eles estejam bem projetados seu visual não fica muito bom. Há muitas cutscenes (todas as vezes que você conclui um estágio), e enquanto os personagens são horríveis, os gráficos são muito grandes e muito detalhados.

No geral, Totally Rad está longe de ser um jogo ruim, mas também está longe do melhor do gênero - como sua inspiração Mega Man é. O grande problema é que a dificuldade fica bastante alta e uns pequenos twists teriam feito tudo muito melhor. Foi quase.

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