sábado, 8 de julho de 2017

[AÇÃO GAMES 008] SILKWORM (NES)



Duas perguntas que você deve se perguntar ao iniciar um shoot-em-up (o popular "jogo de navinha"): 

1) apresenta um conceito único / interessante que melhora a natureza repetitiva do gênero? 
2) estimula o bullying para com seu colega de jogo de formas novas e criativas? 

Se a resposta a ambas as perguntas for "sim", há uma chance de noventa por cento de que o shmup que você está jogando será satisfatório. Silkworm é bem sucedido em ambos os aspectos.



Em um futuro alternativo onde ninguém nunca assistiu Battlester Galactiva, Exterminador do Futuro ou nada do tipo, a humanidade colocou todo o controle de seu arsenal em um único computador inteligente. Pouco surpreendentemente, não deu certo e a raça humana tomou no toba com a força de mil guaranás Dollynhos. 

Em resposta a isso a humanidade desenvolveu o projeto BICHO DA SEDA, que consiste de um helicoptero de combate imune ao controle do computador do mal. Nas nosso heroico helimito não estará sozinho nessa jornada onde o retorno é improvável, ele terá cobertura do outro membro do projeto BICHO DA SEDA, um dinamico e robusto JIPE! Espera, o que?

Isso é algum tipo de piada, produção? Como assim um Jipe? Ele não tem sequer 1/10 da mobilidade e versatilidade de um helicoptero de combate e... oh, eu entendo. Ele pula. Claro, um jipe que pula, está tudo explicado...

Individualmente, BICHO DA SEDA não tem absolutamente nada de especial.  Os cenários são repetitivos, a música é esquecível, os graficos são apenas ok, a jogabilidade é mediana. Jogar com o Helicoptero é seu tradicional jogo de navinha, ele voa e atira. O Jipe existe um pouco mais de perícia, você tem que regular o angulo do disparo manualmente e ele pula, mas não é exatamente a invenção da roda também.

O que torna BICHO DA SEDA especial é justamente a junção dos dois: o coop em que um jogador controla o helicoptero e o outro o jipe.

O helicoptero é infinitamente melhor  (ele voa, e qualquer um que já jogou Mario 2 sabe que isso automaticamente te transforma no melhor personagem do jogo), mas em compensação todos os inimigos do jogo estão caçando a sua pele. De fato, a grande maioria deles realmente ignora o jipe e sequer tenta acerta-lo.

Te disseram que você não podia voar, mas acredite
nos seus sonhos pequeno Jipe!
E é aqui que entra o pulo do gato: embora tecnicamente inferior, o Jipe tem uma função de suporte imprescindivel para o helicoptero fazendo um jogo cooperativo que você realmente se sente jogando como uma equipe. O gameplay assimétrico entre os dois veículos é uma sacada de genio que faz o modo cooperativo desse jogo funcionar como poucos.

Como pontos bonus, o jipe ter uma função majoritariamente de suporte gera um cenário propicio ao bullying com seu coleguinha já que jipe tendo que pular para acertar os inimigos é uma visão muito engraçada de um baixinho tentando alcançar algo numa plataforma mais alta.

Mas quer saber? Deixem que falem, porque essa é nossa ingrata vida de suporte. Healers, suportes, bardos, jipezinhos saltadores... jamais recebemos o reconhecimento por nosso grande trabalho ou mesmo sequer um "hey, bom trabalho cara!". Mas tudo bem, em nossos corações que sabemos que somos as engrenagens silenciosas que fazem essa máquina funcionar... mas não ia tirar pedaço ouvir um obrigado de vez em quando... snif...


Caham, mas enfim, esse é o ponto aqui: o modo cooperativo faz de BICHO DA SEDA um jogo divertido para se jogar em dupla, que de outro modo seria um jogo de navinha sem absolutamente NADA de especial, repetitivo e chato. Nem perca seu tempo jogando single player, consiga um parceiro e zoe o quanto ele tem que pular para acertar os chefes enquanto seu helicoptero desliza graciosamente pelos céus


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