terça-feira, 2 de maio de 2017

[ANIMES] AJIN: Demi-human (ou o que é imortal não morre no final)



Na ficção, as ameaças à humanidade geralmente terminam em uma de duas maneiras: ou a humanidade se agrupa para acabar com a ameaça, ou a humanidade é vencida pela ameaça e vive com medo. Esse conceito apareceu em muitos animes, desde Parasyte a Attack on Titan e em todos os tipos de outros shows que abordam conceitos semelhantes. E hoje, temos o Ajin, um show que mais uma vez nos lança essa idéia de novo, desta vez com pessoas que são inmataveis. 

Em mais uma parceria da Netflix com a Polygon (Knights of Sidonia), como diria a bruxa do Pica-pau, "e lá vamos nós..."


Se deu pau, é só reiniciar o sistema
Nagai Kei é um menino que vive em um mundo com seres conhecidos como 'Ajin'. Ajin são seres raros com os poderes inexplicáveis de regenerar seus corpos inteiros e podem essencialmente reviver indefinidamente. Só que uma pessoa só sabe que é um Ajin depois que morre - ou não morre, no caso - até lá ela acredita ser 100% humano america fuck yeah bolsotrump 2018.

Ninguém sabe realmente da onde os Ajin vieram ou porque eles são como são.

Depois de ser atropelado por um caminhão (Oh Truck-san), ele e o resto de sua cidade descobrem que Kei é um Ajin, e como tal, envia esta criança para um novo mundo onde ele é agora caçado porque governo é mal como pica-pau e quer fazer experiencias e lucrar com os Ajin. Vê, como tecnicamente eles não são humanos e, portanto, legamente não têm direitos. Quando um novo é descoberto, os governos correm para capturar o Ajin e sujeitá-lo a tudo, desde testes de drogas até testes de acidentes de carro.

Alias as batalhas do governo contra os ajin são realmente imbecis, porque como eles não morrem a única coisa que o governo conseguiu pensar foi em substituir armas de fogo por tranquilizantes. Sim, porque não tem nenhuma outra forma de capturar alguém sem matar como atirar uma granada de gas ou sequer jogar uma rede em cima dele. Yep, ou é tranquilizante ou nada. Pois é.
Ajin sofre um grave problema de falta de informações a tal ponto que a série cria buracos em vez de mistérios. Muito da série gira em torno dos três jogadores neste jogo: o governo, a facção de Ajins terroristas e o protagonista que está do lado de si mesmo. O anime dá pistas sobre por que cada lado faz o que eles fazem, e suas respectivas opiniões sobre o papel que os ajin devem desempenhar no mundo, mas nunca nos dão razões concretas para saber porque eles escolhem o que escolheram.

- Senhor, estamos torturando esse garoto ja faz mais de mês,
o que possivelmente podemos ganhar disso?
- SHOCK VALUEEEEEEE!!!
E esse é o maior problema do anime: todos os personagens são terrivelmente unidimensionais como um filme ruim da sessão da tarde. O vilão é mau como um pica-pau, tão mal que eu fiquei surpreso de ele não ter bigodes para ficar torcendo enquanto ri malignamente (se bem que ele de fato ri malignamente). O governo faz suas governanças sem o menor vestígio de humanidade e por aí vai.

Sério, os personagens são tão ridiculamente simplistas e suas ações são tão governadas por puro shock value que eu realmente acreditei estar assistindo Mirai Nikki novamente em alguns momentos.

Por exemplo, em determinado momento Kei é capturado pelo governo e obviamente que o governo ordena que... ele seja torturado da forma mais dolorosa possível até morrer, então começar de novo quando ele voltar a vida. Por que? O que possívelmente eles teriam a ganhar fazendo isso? 

Oras, é apenas porque MUAHAHAHAHA!!!

Ou então nosso líder terrorista Satou (que é chamado pelo governo de "homem de chapéu" mesmo o governo sabendo o nome dele apenas porque parece mais cool assim) que chega para os ajins e diz "quer fazer parte da minha rebelião e matar todos os humanos?" e se o cara disser "como assim cara, que papo é esse?" ele prende os ajins dentro de caixas para eles ficarem ali para sempre porque... MUAHAHAHAHA!!!

Percebe o problema aqui?

Como só "não morrer" é um poder complicado de
fazer um anime shonen, os ajins também tem o poder
de invocar Stands. Só que sem os nomes maneiros.
É tudo tão edgy que parece que o anime foi escrito em uma parceria entre o Zack Snyder e o Kurumada.

Além disso, os eventos da história são muito chatos e confusos. Os primeiros quatro episódios seguem uma cena de perseguição. E por cena de perseguição eu literalmente quero dizer isso: alguém andando e o outro fugindo.

Não há muitas razões para explicar porque os personagens têm as opiniões que eles tem ou porque fazem o que fazem, não há ritmo suficiente para explicar completamente ou entender por que tal evento acontece às vezes, a série termina com um "ler o mangá / ver os filmes para entender"

Como mencionado antes, Ajin tem três facções separadas que cada um tem seu próprio "líder" e conjunto de subordinados. Sendo que os subordinados simplesmente desaparecem assim que seu papel na história acabou. Tipo no começo Kei é ajudado a escapar por um cara que foi amigo dele na infancia mas que hoje não é mais... e o cara quase é preso e leva tiro para ajudar o Kei... e depois ele desaparece e nunca mais é sequer mencionado. Uau, eu não via uma escrita tão preguiçosa assim desde que... bem, desde que eu vi qualquer coisa do Kurumada ou do Zack Snider.

Primeiro temos nosso mais novo membro dos Ajin, Nagai Kei. Kei é um personagem muito conflitante do começo ao fim. Ele é explicado como sendo um sociopata neutro caótico e sem emoções, que só vê oportunidades de usar as pessoas para seu próprio benefício antes de pensar duas vezes sobre elas. Ou seja, alguém assistiu Death Note e achou que ia ser legal copiar o Light.

Verdade seja dita, como conceito, isso é interessante, pois ele não é o seu típico protagonista otimista prafrentex que quer "salvar todos" com seus poderes, mas em vez disso só quer usar suas habilidades recém-descobertas em seu próprio benefício e ficar na dele. Ok, fine.

Imagine que tem um atirador maluco
metendo bala por aí e um cara te ajuda
a se esconder dele. O que você faz?
Ora, é claro, põe pra fora seu discurso
de ódio bolsonariano contra o rapaz
que te ajudou porque sua vida estar em
risco não é motivo para você agir
molezinho com esses putos!

Só que isso não vem sem problemas. O primeiro dos quais é o fato de que ele exibe emoções humanas - aleatóriamente, ou de forma mais precisa, quando for pra cena ficar mais dramática. Às vezes Kei tem surtos de realmente dar alguma merda sobre as pessoas, e enquanto isso deveria instilar algum desenvolvimento de personagem, ele apenas dá como desculpa alguns motivos sem sentido nenhum e depois volta ao seu estado sociopático e a série finge que o que ele fez não tem consequencia alguma. 

Além disso, Kei não tem realmente uma motivação além de "quero ficar na minha". Ele não tem um plano ou um objetivo, ele apenas fica mais ou menos à margem e espera que algo aconteça das outras duas facções antes de entrar em ação. Ele é um protagonista puramente reativo, e isso é o primeiro capitulo de como NÃO  se escreve um personagem principal.

Isso se aplica a todos os personagens. Temos o representante do governo, Tosaki, que faz o papel do cara que "vai usar qualquer meio para que a justiça seja feita". Resumidamente ele é a versão anime do Tommy Lee Jones em O Fugitivo... caçando um moleque que nunca fez realmente mal para ninguém com um senso de justiça como se o rapaz tivesse estuprado a toga de Cristo. Porque? Porque  a história precisa que ele odeie ajins com a fúria de mil sóis para ficar mais fácil escrever, só por isso. Ele é unidimensional e sem graça.

E, finalmente, Satou, o Ajin experiente que interpreta o lado do Mal Caótico nesta equação. Satou é insano, muito, muito, muito insano. Ele é louco ao ponto que não há razão para explicar por que ele é insano ou sequer explicar como ele ficou tão confuso, e não há nada além disso. Seus motivos, como os outros dois, também estão faltando. Por que ele quer cometer genocídio? Para se divertir? Por que ele diz que quer governar o país no final? Qual é a razão dele? Há muitos buracos no personagem de Satou que não somam. O show faz parecer que há mais razão para ele fazer isso do que apenas querer causar caos, mas eles não nem mesmo aludem a isso. Ele é apenas tipo "Rah! Eu sou um Ajin! Eu vou fazer você morrer!" antes de rir maniacamente. Personagens loucos como este são legais e agradáveis, mas sem qualquer rima ou razão por que eles são loucos, não há nenhum ponto em dar qualquer porcaria sobre eles.

O maior poder de Kei não é a imortalidade e sim ligar
e desligar a conciencia conforme a conveniencia do
roteiro.
Em suma, os personagens são ... incompletos. Sua absoluta falta de qualquer tipo de motivo faz com que não haja ninguém para se importar. Não há honestamente nenhuma razão para se preocupar com alguém já que você não sabe ou entender as razões de suas ações. Sabe o Kylo Ren no episódio VII que não foi lhe dado motivação alguma e ele parece apenas um moleque birrento fazendo pirraça? Tipo isso.

Para adicionar insulto a injuria, tem a animação. Ajin é feito inteiramente em 3D com cell shading. O que não seria um problema, não parecesse que eu estou assistindo um computador extremamente limitado rodar um emulador de PS4.

Sério, a animação é tão travada e cheia de lag que se tivesse rodando em um PS2 ainda sim seria completamente inaceitavel um framerate tão baixo. Eu não sou esses chatos que diz que um jogo é a pior desgraça da humanidade se em algum momento da vida rodar a 59 fps, mas sério, você assiste a fluídez da animação de Ajin e seu primeiro instinto é reiniciar o computador porque saporra claramente está travando. Mas não, o anime é mal animado assim mesmo. Definitivamente não é o melhor trabalho do Polygon Picture.

Eu recomendaria este anime? Năo. Definitivamente năo faça isso. 

Este anime é terrível em sua execução e só cria confusão no lugar de intriga. O maniqueísmo simplório dos personagens torna a trama irritante de se assistir em vez de emocionante. E se isso não fosse suficiente, a qualidade da animação é pavorosa. O horror.


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