sábado, 15 de abril de 2017

[SERIES] PUNHO DE FERRO [parte II] (ou quem é Claire Fury?)



Eu costumo pensar em mim como um homem simples de gostos simples. Tudo que eu esperava da Netflix era uma série sobre um monge no mundo moderno que socou um dragão no coração. E como eu já expliquei anteriormente aqui, a Netflix decidiu que eu teria um adolescente tendo uma crise de aborrescencia muito confusa no lugar disso. Oh, bummer.

Mas hey, não quer dizer que não é porque o show não fez (a principal) coisa certa que eles tenham errado tudo, certo? Então agora vamos a segunda parte, sobre o que funcionou na série do último dos Defensores!

Porque a série não tem mais do mestre do Punho Bebado,
Zhou Cheng, é uma escolha da Netflix que eu nunca serei
capaz de entender, porque é a melhor cena de ação da série toda
A maior parte da primeira metade da série é sobre Danny tentando convencer as pessoas que ele é de fato um bilhonário que foi dado como morto a mais de quinze anos  e não apenas um mendigo que é muito bom em revirar o lixo das pessoas.

Surpreendentemente essa é uma parte muito interessante - ser o maior mestre de Kung Fu do universo Marvel (não que esse Danny seja, mas deveria) surpreendemente ajuda muito pouco em questões legais e burocráticas. Eu nunca tinha parado pra pensar no quanto é fácil você deixar de ser "você", é só alterar uns papeizinhos - ou perde-los - e bam, você não tem mais casa, nome ou conta no suicidegirls.com

Adicionalmente a isso, os irmãos Meachum (atuais dirigentes das empresas da família Rand) não estão nada feliz com algum mendigo surgindo e dizendo que é dono de 51% da porra toda. Em o irmão mais velho Ward Meachum, que parece ser um babaca executivo que queremos socar - ele, por exemplo, reconhece que talvez aquele maluco seja realmente Danny Rand mas foda-se porque ele não vai dar centavo nenhum praquele refugo de Game of Thrones.

Acontece que na verdade, Ward é o personagem mais interessante da série e ela faz um excelente trabalho estabelecendo suas motivações, seu modo de pensamento e seus objetivos. Muito antes do fim não só percebemos que Ward é uma pessoa normal reagindo a coisas muito fora da realidade, como estamos torcendo por ele.

Essa cena não faz muito sentido realmente, mas a cara da
Madame Gao fazendo meme do Sapo Caco faz ela valer
valer totalmente!
Em determinado momento alguém diz a ele que "Danny alega ser o Punho de Ferro, protetor de Kun'Lun e inimigo declarado do Tentáculo. Sabe o que isso significa para nós?"

Ward responde honestamente: "Não. Não realmente." Ward totalmente me representa!

A segunda metade da série é mais sobre a corrupção do Tentáculo usando a empresa da família Rand para conduzir seus negócios, e muitas coisas certas são feitas aí.Para começar é mostrado que o "Tentáculo" não é uma família de supervilões que tramam dominar o mundo unidos em uma sala escura.

Na verdade como qualquer organização muito grande e muito antiga, é composta por uma miriade de facções e ideologias diferentes. É mostrado ao menos duas facções dentro do Tentáculo e possivelmente exista uma terceira (a da Electra), mas mais importante que isso, é mostrado de uma forma muito inteligente porque a série permite que você chegue a essa conclusão por conta própria.

Ninguém para e narra explicitamente isso, é uma ideia que você começa a alimentar muito antes. Quando a Madame Gao é resgatada por seus asseclas em determinada cena, você para e pergunta "ué, mas esses não são os ninjas imortais do Tentáculo". E assim a série vai dando pequenas pistas que nem tudo é flores e abraços na casa dos super vilões.

O maior problema de Ward é que o seu pai claramente
tem um dos filhos como favorito e não é ele. Me pergunto
onde Harold Meachum aprendeu a ser assim...
Enquanto nenhuma das facções do Tentáculo talvez seja realmente boa, ao menos elas são realmente diferentes na forma de conduzir os negócios. Possivelmente nem os monges de Kun'Lun sejam também, mas a série fala tão pouco sobre isso (e o que fala é através do Danny, que é um moleque que sabe tanto quanto alguém que discute política no Facebook) que não dá realmente para saber.

Eu me pergunto o que tem em Kun'Lun que possa interessar tanto o Tentáculo, já que o Punho de Ferro é apenas o guardião do lugar eu me pergunto então o que é que ele deve (ou deveria, no caso do Danny) estar guardando.  

Sei que eu prometi não reclamar da série nesse post, mas isso é uma coisa que me incomodou muito. Nós sabemos que K'un-Lun é uma das Sete Capitais do Céu, porque Danny diz isso. Sabemos que seu papel lá é importante, porque vários personagens dizem isso. O problema é que a série nunca mostra o que a vida é como lá, que impressão ela causou nele, e como, em suas circunstâncias únicas, ele formou sua personalidade e suas dúvidas. Além de algumas cenas em falésias nevadas e fora de uma caverna, nós nunca vemos realmente K'un-Lun. 

Então a escolha relevante de Danny de deixar o seu posto nunca é realmente significativa, porque nós não fazemos ideia do que ele está deixando. Uma escolha que não sabemos as consequencias não é uma escolha, é apenas aleatoriedade. É apenas falar sobre um passado vago e irreal. Se o ponto inteiro de sua história é que ele é um peixe fora da água na América, ter uma sensação de onde ele construiu sua identidade enquanto pessoa é crucial.

Mas enfim, o Tentáculo é legal.

Até porque fica bastante claro que a Madame Gao não está fazendo isso pelo dinheiro, então qual é realmente a parada
do Tentáculo com as dorgas larilarila?


Como eu já disse, há muita coisa para não gostar em Iron Fist, Em vez disso, quero falar sobre o herói não reconhecido do programa, o único personagem a fazer qualquer maldito sentido nesse mundo: Claire Temple. 

Minha garota Claire, interpretada por Rosario Dawson, tem sido a enfermeira em todas séries da Netflix no universo cinematográfico Marvel. Ao longo de quatro shows e cinco temporadas, nós a vimos crescer. Onde os primeiros episódios de Daredevil a usaram como um plot device - um interesse amoroso transformado em uma donzela que precisa ser resgatada - Iron Fist a mostra como alguém que não só sabe se cuidar sozinha como tem mais noção do que está acontecendo do que o herói da história. 

Claire não tem nenhum superpoder, a menos que você conte paciência, bom senso e acesso a produtos farmacêuticos como superpoder. O que a faz realmente notável é como ela é comum neste mundo de personagens extraordinários. Ela é apenas humana e sabe disso.

Isso significa que, embora o enredo de Iron Fist se divida entre forças místicas do mal e partes brilhantes do corpo, Claire pode atuar como o porta-voz para nós céticos em casa. Quando Danny Rand começa a pavonear sobre como ele é "o punho de ferro", Claire respira alguma leviandade muito necessária para a cena por agressivamente encolher os ombros e perguntando: "O que diabos isso significa?" 

Ela é rápida para apontar quando os planos são uma bosta e tem de dissuadir os heróis do show de sair matando geral apenas porque eles podem. 

O charme de Claire não é apenas sobre como o personagem é escrito. Dawson interpreta a enfermeira como uma pessoa que vive de acordo com as regras do mundo real: ela não resolver todos os seus problemas socando eles com a superforça que ela não tem, então ela tem que encontrar uma solução como o resto de nós normais. Isso a torna mais poderosa do que um idiota com uma mão brilhante. E muito mais agradável de se assistir.

"Motivação bacana. Não menos assassinato por causa diso!"
É engraçado que após cinco temporadas dos quatro heróis da Marvel na Netflix, a minha personagem favorita em tudo isso seja aquela que parece ter o maior superpoder de todos: bom senso.

Outra coisa muito legal de se assistir na série é a Jeri Hogarth, que basicamente é uma versão mais prática da Claire, só que infelizmente com muito menos tempo de tela.


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