sábado, 22 de abril de 2017

[AÇÃO GAMES 005] STRIDER (Mega Drive)

Sério, o que é essa capa horrível com o filho do Edson Celulari com o Bruce Willis? Sério, olha a capa japonesa do jogo
(que mostra o personagem do jogo de verdade). O que eles estavam pensando?
Strider é um jogo muito importante para a história dos videogames. Ele tentou, e em grande parte  conseguiu, redefinir o gênero ação. Ele colocou ênfase na história e cenário, não só na mecânica, e se focou em ser um jogo único em seu gênero.

Entretanto, esse sucesso não ecoa necessariamente bem quando jogado agora, ao contrário de Super Mario Bros. por exemplo. Embora Strider influenciou a melhoria de muitos jogos no gênero, e em geral, ainda está preso dentro dos limites de um Arcade da sua época.

No Mega Drive esses limites eram mais limitadores.



O primeiro chefe do jogo: você invade o parlamento russo,
aí os congressistas saem voando e formam uma centopeia
humana robótica... ooooookay...
Não é irônico que todas as três principais séries baseadas em Ninja na era de 8 bits e 16 bits se passam nos tempos modernos ou no futuro? Acho que foi em Tenchu que tivemos um jogo famoso de ninjas passado na época dos ninjas... mas estou divagando.

Shinobi, Ninja Gaiden e Strider todos se passam em um futuro semi-distópico (dos três, eu ainda acho que Ninja Gaiden tem a melhor jogabilidade). No entanto, nenhum pode se comparar com o espetáculo visual tentado em Strider. Além das escassas e curtas cenas de histórias entre as etapas (com vozes em quatro idiomas diferentes nos arcades), o jogo tenta uma escala épica nunca vista antes. Com grandes cenários de fundo, fases diversificadas e grandes, e uma trilha sonora muito original, Strider é quase uma ópera distópica guardadas as devidas proporções.

Neste mundo distópico, Strider está lutando contra o Grão-Mestre e seu exército, que está controlando o mundo de sua base em São Petersburgo. Então é hora de agarrar sua vodka, porque um ninja vai invadir a Russia e salvar o mundo de um ditador que desafiou a cortina de ferro.

Ainda me pergundo como eles enfiaram esse gorila robô aí...
ou porque...
Enquanto a apresentação visual de Strider é o que mais o diferencia de seus pares de ação, isso não significa que ele era similar a eles mecanicamente também. Centrado na idéia de movimento contínuo, Strider Hiryu é proficiente em atacar ao se mover, e mesmo ao saltar. Ou mesmo quando está grudado nas paredes. Ou quando está se arrastando. Provavelmente ele ataca quando dá uma cagada também.

Com efeito, o pool de movimenos que Strider tem é bastante impressionante para um jogo da época. Ele junta o melhor de Ninja Gaide, e Shinobi (que foram lançados antes), o que significa que ele salta, gruda em paredes, no teto e em plataformas moveis. E ataca enquanto faz todas essas coisas com bastante agilidade.

Realmente para a época foi muito impressionante, hoje... não tanto. O jogo tem alguns probleminhas mecanicos que tornam a experiencia menos divertida do que poderia ser. 

Strider tem um salto muito lento que trava completamente a jogabilidade do jogo, e uma mecanica muito burocrática: se você saltar parado, ele não vai pra frente mesmo que você aperte para frente no ar. Se você saltar em movimento não pode mudar depois. Pode parecer bobagem, mas isso engessa a movimentação de Strider de uma forma frustrante em um jogo que requer completa mobilidade.

Eu nunca ouvi falar do jogo quando criança, conheci o
Strider apenas no Marvel vs Capcom onde ele é um dos
melhores persoangens do jogo.
Se esse jogo tivesse a mecanica de Ninja Gaiden, por exemplo, seria absolutamente perfeito. Só  que ele está muito mais para Psycho Fox, e isso não é legal.

A outra marca de seu tempo é a dificuldade do jogo. Você provavelmente vai sentir que o jogo é difícil, mas que você tem uma chance justa. Isso mais tarde é provado ser falso, nas últimas fases do jogo. Especialmente por causa de escolhas de design que foram especificamente feitas para obter mais moedas nos arcades, modelo para qual o jogo foi originalmente desenhado.

Uma coisa que pode manter as chances ao seu favor são os power-ups que você pode pegar, aumentando sua energia e alcance de ataque. No entanto, uma vez que você perde uma vida, você também perde todos power-ups. Assim, você é muito provável estar na posição de repetir a última fase com apenas a barra de saúde mínima para protegê-lo.

Este aumento injusto na dificuldade não é nada estranho na época. É simplesmente um truque para garantir que você não perceba o quão curto o jogo realmente é.

Eu já falei sobre como o jogo foi projetado para ser visualmente incrível desde o início. Isto fica claro no design de fases variado, cenários de intrincados e sprites grandes e bem animados. Desde o primeiro nível de inspiração moscovita até a luta em cima de um navio de batalha voador, os níveis do jogo são tanto um personagem na história como Strider.

A versão final do jogo não tinha tetas de fora, apesar da rara
versão beta do jogo conter. #lettitsfree
Strider tem uma animação topo de linha para a época, e você sente que simplesmente não tinha como fazer um jogo mais bonito do que esse. Para complementar isso, o jogo tem uma das trilhas sonoras mais originais e atmosféricas daquela época. Ela varia alguma coisa em torno da óbvia influência sci-fi, estilos tribais e até barrocos. Combinou bem com os estágios.

Principalmente, porém, foi o fato de que a música muda ao progredir na fase que faz a trilha sonora se destacar. Parece um detalhe bobo hoje, mas isso nunca  havia sido feito até então e foi impressionante. 

Tem que ser dito, no entanto, que essa trilha sonora foi altamente prejudicada pelo chip de som limitado do Mega Drive. Não soa como os sons do arcade e sofre por ser um dos primeiros jogos do Mega Drive, antes de os compositores aprenderem a usar melhor as capacidades de som do sistema. O efeito sonora da espada é particularmente irritante, e como atacar é algo que você faz apenas... o tempo inteiro... bem, a paleta sonora desse jogo é bem menos agradável do que poderia ter sido.



Em conclusão: porque Strider é um dos jogos mais influentes de seu tempo, provavelmente será sempre considerado um grande jogo pelos fãs. No entanto, jogos de ação daquela época às vezes têm falhas que são muito óbvias para ignorar agora. Falhas que reduzem ativamente o seu prazer com o produto final.

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