sábado, 22 de abril de 2017

[AÇÃO GAMES 005] PSYCHIC WORLD (Master System)



A primeira vista, PW parece um clone de Mega Man. E um bem ruinzinho, na verdade. Os pulos são toscos e seu tiro é uma biribinha furada. Entretanto se você der uma chance a ele, vai acabar se deparando com um dos jogos mais legais de Master System que eu joguei até aqui.

Ela é ferro e fogo... guria psiquica!
Psychic World é um dos velhos jogos da Sega que se perderam no tempo. Originalmente lançado para o MSX no Japão com o nome de Psycho World (alias esse é o nome que saiu na Ação Games), o jogo foi lançado no ocidente em 1991 e renomeado para Psychic World (porque os japoneses não se deram conta que "Psycho World" é algo como "Mundo dos Psicopatas").

O jogo se passa no ano 19XX. Considerando que o jogo foi feito em 1989, eu acho que os desenvolvedores do jogo pensaram que iríamos curtir tanto o século 20 que não iríamos querer deixá-lo, então eles colocam o ano exato como incognita.

Seja como for, uma equipe de pesquisa muito pequena composta de Dr. Knavik (que é a cara do Dr. Willy), Cecile e Lucia (com quem você) estão realizando pesquisas em Percepção Extra-Sensorial. Bem, como não podia deixar de ser dá merda e o laboratório explode - no que alguns dos monstros de cobaia fogem levando Ceclie. Acho que é uma forma válida de fazer greve no trabalho.

Lucia rece um PES Booster do Doutor - uma ferramenta especial que permite ao usuário usar poderes psíquicos para salvar sua irmã. Eu tenho que dizer para um jogo antigo é um tanto diferente jogar como uma protagonista feminina ao invés de um bombadão que não consegue nem coçar a bunda de tanto musculo.

Já vi muitos filmes pornos que começam com
essa exata premissa...
O jogo é um platformer com muitos power-ups à sua disposição. Sua arma principal é uma espécie de ... eu não sei bem o que é isso, você dispara ondas psiquicas, eu acho... o ponto é que sua arma é uma bosta.

Só que a medida que você progride através do jogo, você vai coletando power-ups derrubados por inimigos caídos ou apenas encontrados na fase. O upgrade aumenta o dano e a distância do tiro. Acaba que o tiro termina muito amplo e poderoso, é muito legal ver a progressão dos seus poderes à medida que você avança no jogo.

Depois de derrotar os chefes você ganha novos poderes psiquicos, igual a Mega Man - só que mais simples, como disparo de fogo, tiro sônico e tiro congelante que também começam uma merda e tem que ser atualizados. Só que tem uma diferença fundamental para Mega Man e aqui eis a sacada do jogo: todas as armas no jogo têm uso ilimitado e cada arma é mais adequada para ambientes especificos.

Por exemplo, o disparo congelante pode criar novas plataformas no nível de gelo. O de fogo destroi blocos de gelo e o sonico destroi blocos de terra. Além disso você encontra outros poderes uteis como cura, levitação e bomba - que você usa gastando sua barra ESP verde. O grande legal do jogo é que você tem que ficar alternando seus poderes para progredir na fase de uma forma bem criativa, o level design desse jogo é inspirado.

Surpreendemente, acabou melhor que Mega Man onde voce só precisa usar as armas especiais nos chefes, basicamente. O jogo te dá uma caralhada de PES, então você pode usar seus poderes psiquicos a moda loca mesmo. Sério, eu me diverti mais jogando isso que Mega Man 1, lide com isso.


É o chefe mais bonito que eu já vi em um jogo de 8 bits
Há quatro níveis cada um tem um feeling e design únicos para ele, além de sub-chefe no meio da fase e chefe final. Embora os níveis são de tamanhos razoavelmente decentes o jogo é muito curto, você pode facilmente terminá-lo em meia hora.

O chefe final vale a pena mencionar porque até hoje essa luta faz sentido nenhum. Eu não vou spoilar o que acontece, mas vamos apenas dizer que o jogo surpreende você removendo todas as suas armas e power-ups e muda o jogo para outra coisa completamente. Tanto que você provavelmente não saberá o que fazer. Mas não vou negar que o final meio louco adiciona um toque de carisma ao jogo.

Os gráficos do Master System são bastante coloridos e as fases visualmente variadas, Os sprites dos personagens se destacam e há uma variedade grande de tipos de inimigos. Os chefes, em particular, são bem legais e lembram bastante Metroid.

Como o controle do Master System não tem botão de pause
(troféu joinha with flames pro cara que colocou o start do
aparelho no console e não no controle), para trocar de poder
você tem que pular e colocar para baixo, o que te permite navegar
no menu de poderes (canto inf. esq.). Surpreendemente, isso
é bem tranquilo de fazer e acabou ficando melhor do que se
fosse no menu de pausa (como em Mega Man)


A música é também um prazer neste jogo, mesmo a palheta sonora do Master System sendo consideravelmente limitada. Normalmente eu não gosto das músicas de Master, mas esse jogo tem uma trilha sonora que não deixa nada a dever para a espetacular trilha do bombardeiro azul.

Psychic World é um jogo que realmente se encaixa na categoria de perola escondida. Muitos revisores classificam este jogo como médio e genérico, mas isso é porque a série não teve uma sequencia - a produtora Hertz lançou poucos jogos depois desse. Se continuasse sendo lançado e polido como Mega Man foi, seria um clássico.


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