sexta-feira, 14 de abril de 2017

[AÇÃO GAMES 004] SONIC: THE HEDGEHOG (Mega Drive)



Muito antes de começar a fazer essa viagem retrospectiva de cabeça na história dos videojogos, a um ano e meio atrás eu escrevi sobre Sonic Generations e teci algumas opiniões sobre o rato-ouriço (Sonic nunca foi um porco-espinho, apesar da tradução) e seus jogos de 16 bits. Minha opinião sobre Sonic Generations pode ser lida aqui.

Enquanto eu não acho que essas opiniões sejam fundamentalmente erradas, eu vejo agora que elas foram um tanto quanto injustas. Já que chegou a hora de falar com mais calma de um dos jogos mais importantes da história dos videogames, vamos a isso.



Eu mantenho o ponto que Sonic nasceu, como quase tudo que a SEGA fez na vida, de uma decisão editorial profundamente equivocada. Você já reparou que Sonic 1 tem algumas fases abertas com multiplos caminhos a seguir (sendo o de cima sempre o melhor porém mais dificil) e em outras é um jogo de plataforma terrivelmente lento?

É quase como se fossem dois jogos completamente diferentes, sério, da Green Hill Zone para a Marble Zone não parece sequer que estamos jogando o mesmo jogo. Ou da Scatter Brain Zone 2 para a Scatter Brain Zone 3. Isso é um ponto comum entre os gamers, mas porque o jogo tem essa sensação de que NO MEIO DA PRODUÇÃO eles mudaram de ideia a respeito do que o jogo deveria ser?

Bem, talvez porque foi exatamente o que aconteceu.

"Cê vai joga ou tá dificil, pedubó?"
Embora Yuji Naka, diretor do projeto, quisesse fazer um jogo "radical e rápido", SÓ NO MEIO DA PRODUÇÃO DO JOGO é que as ideias chaves que hoje são reconhecidas como "um jogo do Sonic" tomaram corpo na forma de gameplay . Na verdade, segundo o "Sonic Jam Japanese strategy guide" - que inclui notas de produção da equipe do jogo, levou seis meses para eles finalmente acertarem a mão na fase mais iconica do jogo, a Green Hill Zone.

Quando eles finalmente acertaram e disseram "é isso, é isso que a gente quer fazer!", mais da metade do jogo já estava feita. Isso explica porque Sonic é um jogo muito bipolar em termos de velocidade, misturando o que as pessoas entendem como "Sonic" com um jogo de plataforma tradicional muito lento.

O que eu não abordei na época do Sonic Generations, entretanto, é um aspecto que sempre se deve considerar quando se analisa qualquer coisa: o contexto histórico e os motivos disso ser assim. É muito tentador comparar Sonic 1 com Super Mario World, por exemplo, e dizer que Mario World é um jogo mais consistente, fluído (sem esses bolsões de acelera e para) e até mesmo divertido.

Ok, só que essa é a comparação errada a ser feita. Em primeiro lugar, Super Mario World era o QUARTO jogo de uma série que já caminhava para dez anos de idade, Sonic era o primeiro da sua. Não é atoa que Mario World parece mais polido e consistente que Sonic, dã.

E ainda sim, essa é a comparação errada a ser feita. Sonic não foi feito para competir com Super Mario World (embora ele tenha sido lançado alguns meses antes do lançamento de Sonic no Japão, durante os anos de desenvolvimento do jogo não havia sido ainda), ele foi criado para competir quando o melhor do melhor do melhor dos videogames parecia assim:


Esqueça por um momento o quão awesome Mario 3 é e repare na velocidade do jogo, na paleta de cores, na trilha sonora, nos gráficos de fundo, em quantas coisas estão na tela ao mesmo tempo. Preste atenção em tudo isso.

Agora veja isso:


A evolução é realmente impressionante. Foi um tanto injusto da minha parte analisar Sonic pelo esquema geral das coisas e não pelo contexto que ele foi criado. É o mesmo tipo de babaquice que dizer que "Mario Bros." não é um jogo tão incrível assim mas não considerar que antes dele o apice dos videogames era o Atari.

Mesmo quando você comparar com outros jogos bons do próprio Mega Drive anteriores a Sonic, você vê o quanto o ouriço azul levou o console a um novo patamar. Veja por exemplo a comparação com Alex Kidd in the Enchanted Castle, que por todos os méritos é um jogo bastante decente:


Comparado com Sonic, Alex Kidd é um jogo praticamente amador. E lembrando que esse é um jogo bom!

Mesmo em suas partes "lentas" do jogo, Sonic é de uma qualidade muito acima de qualquer coisa que os videogames já houvessem sonhado até então. O acabamento, a qualidade sonora e musical, mesmo o level design "antigo" de Sonic são pelo menos dois ou três passos a frente de qualquer coisa que se pudesse jogar.

Por isso é injusto fazer uma comparação de Sonic 1 com os jogos de Super Nintendo ou mesmo com os outros jogos dali para frente, porque Sonic elevou a barra de uma forma insana sobre a forma que entendiamos o que deveria ser um "bom videogame".

Seus elementos chaves ainda são sólidos hoje: matar coisas é divertido, o sistema de aneis como energia é muito esperto, as batalhas contra os chefes são preciosas. HOJE nós vemos muitas coisas que poderiam ter sido melhor pensadas no jogo, mas para a época eles estavam colocando um homem na Lua usando um abaco.

Eu nunca tinha entendido realmente esse ode todo aos jogos do Sonic e porque esse jogo sozinho colocou a SEGA no mapa, só via suas limitações que no grande esquema das coisas não o fazem um jogo TÃO incrível. Mas então eu não tinha realmente parado para pensar em como os videogames eram até então e como eles passaram a ser depois dele.

Por todos os méritos, Sonic é um patamar de qualidade que merece o lugar que ocupa na história dos videogames.


Nenhum comentário:

Postar um comentário