sábado, 8 de abril de 2017

[AÇÃO GAMES 003] ALEX KIDD IN THE ENCHANTED CASTLE (Mega Drive)



No final dos anos 80 a SEGA queria desesperadamente vencer a Nintendo em seu próprio jogo. Literalmente. E com isso criou um jogo de plataforma para o Master System para competir com o Mario do Nintendinho: o menino Alex.

Como a sua reação provavelmente deve ter sido "Quem? Ah, sim, lembro... eu acho" meio que é desnecessário dizer que fim isso teve, não é? Após um primeiro jogo muito bom (dizem, ainda tenho que jogar), a SEGA afundou a franquia com títulos horríveis... ou seja, a SEGA já era a SEGA desde aquela época né?

Mas enfim, o fato é que antes de ser soterrado pela sombra do Sonic, o menino Alex teve dois jogos razoavelmente bons. O Shinobi World, que eu já falei dele, e o único jogo do Alex Kidd para Mega Drive: Alex Kidd in the Enchanted Castle.

Que é um jogo até bom, com boas ideias (algumas delas viriam a ser reaproveitadas em Sonic, por exemplo). Mas "bom" é meio que só até onde o jogo vai também...


Sério, porque o continue está dentro do menu de opções
do jogo?
Não tem nada particularmente errado com os jogos de Alex Kidd, realmente, pelo que eu joguei deles até agora. Só que eles são apenas genéricos. Esta versão do Mega Drive é passo na direção certa por alguns motivos, mas há algumas questões de jogabilidade que são passinhos na direção errada

Alex Kidd se encontra no mundo de Pedrapapel (isso vai ser importante para o jogo) onde ele acredita que seu pai foi sequestrado. Bem, não é como se jogassemos videogames pela história naquela época, né... ou mesmo hoje

De toda sorte, este é um jogo de plataformas ao pé da letra, sem arriscar muito mas com alguns twists. Em vez de saltar sobre as cabeças dos inimigos ele soca como se eles não fossem nada. O que é meio que um problema na verdade, porque o soco dele é muito curto e errando timing você morre - já que qualquer hit mata o menino Alex. Felizmente, a dificuldade não é safada como Yo Noid ou Bart vs Space Mutants, e o jogo parece mais dificil do que apenas injusto. Ao menos isso.

A maioria dos níveis consiste em Alex correndo da esquerda para a direita, colecionando moedas e socando qualquer coisa em movimento que fica em seu caminho. O jogo tem diversos segredos, areas secretas e baús, mas você pode simplesmente passar batido por todos eles.

O menino Alex tenta fazer a cachoeira correr ao contrário
diante do mestre ancião caucasiano.
Porque você se arriscaria a explorar se qualquer contato vai te matar? Aha,é aqui que entra uma das sacadas inteligentes da SEGA: as moedas no jogo servem como moeda. Alex Kidd pode comprar power-ups em lojas que aparecem de vez em quando - que podem ser equipados e desequipados, evitando que você perca o item (imagine os power ups do Mario se você pudesse guarda-los em areas muito tretosas que você sabe que vai perder ele). Mas a principal função das moedas nem é essa a principal função das moedas e sim dar continues.

Você tem apenas duas vidas no jogo, mas a cada mil moedas você tem direito a um continue (que fica escondido dentro do menu de opções do jogo, estranho...). Então explorar é bem recompensado no fim das contas. Ponto positivo.

Isto, combinado com fases variadas, mantém as coisas interessantes no que passou a ser o padrão de platformer a partir desta era.

Falando em fases, este jogo acontece em um reino chamado Pedrapapel e como eu disse isso é muito importante, porque muito do seu progresso em Alex Kidd vai depender da sorte em ganhar um jogo pedra-papel-tesoura. Para "comprar" itens em lojas na verdade você tem que vencer o lojista no jankenpo - o que pode ser um pouco chato e custar mais dinheiro do que você esperava gastar, mas não chega a ser um impeditivo em si.

Você aposta sua vida no jakenpo... mas em lojinhas
como essa sua vida são só 50 créditos mesmo
O real problema começa que em mais de um terço das etapas, não é suficiente para chegar ao final do nível. Você esperaria enfrentar um chefe mas ao invés disso fui eu, Dio!!! você disputa uma partida de jankenpo com ele e se perder, perde uma vida. Sério.

Alguns chefes precisam ser vencidos duas vezes seguidas no pedra-papel-tesoura. Eu não posso estressar o bastante o quanto é frustrante que o seu progresso dependa simplesmente de sorte, ao custo de um recurso que é muito trabalhoso de se obter - que são vidas e continues. Mil moedas não é algo que você consegue tão facilmente assim não.

Porque se você perder não é só a vida, o pobre Alex é chutado de volta ao início do nível e deve começar de novo. Eu não acho que esses jogos são apenas para estender artificialmente o tempo de duração do jogo; eu acho que foi uma decisão deliberada da SEGA para tentar dar um ar de "originalidade" ao genero plataforma - o que até é o caso, mas eu não diria que é um que  funciona em favor do jogador.

Enfim, pelo menos o jogo experimenta com design de nível interessante no último terço do jogo. Existem alguns estágios de plataformas verticais e um Zelda-like castelo labiríntico onde a tela troca igual no jogo da Nintendo. O uso de veiculos (e a possibilidade de usa-los sem gastar se voce fizer direito) torna níveis que seriam comuns em algo interessante

Alex Kidd vs o terrível Jason lenhador da floresta. Hã?
Só que o verdadeiro problema de Enchanted Castle, talvez até mais do que o jankenpo, é a física. Alex é um personagem escorregadio, então fazer paradas completas ao tentar evitar os inimigos na tela é uma tarefa árdua. E como seu ataque tem um alcance curtissimo, parar onde voce precisa parar é uma questão fundamental aqui.

Eu nunca senti como se tivesse controle total do personagem, mais como se estivesse jogando um jogo inteiro de "fase do gelo". Apesar de um bom salto, o movimento escorregadio compromete o gameplay inteiro. Juntamente com só ter um hit de vida, isso leva não só avançar com tentativa e erro em alguns dos estágios posteriores, mas algumas seções verdadeiramente frustrantes - onde cabe lembrar mais uma vez, suas vidas e continues são limitados. Não de uma forma injusta, mas limitados mesmo assim. 

Ah bem, pelo menos o jogo tem gráficos decentes. Mesmo como um dos primeiros jogos do Mega Drive, Alex Kidd esbanja uma paleta grande da cor interessante. Cada nível, do deserto até as montanhas para o castelo no final do jogo, parecem distintos e interessantes. O sprite do Alex Kidd é bonito, os personagens todos animam bem e os cenários são detalhados para sua era. A música é adequadamente otimista, com algumas músicas cativantes e efeitos sonoros decentes para acompanhar o jogo.

Uau, esse mapa da última fase é estranhamente bem elaborado. Tipo, mais que o resto do jogo inteiro junto, na verdade. Sério.
Este jogo pode valer a pena para grandes fãs da SEGA, mas não é o melhor exemplo da empresa de seus melhores jogos de plataformas. A física é demasiado fraca eo fator de "probabilidade" em fazer o progresso é um tipo de experiencia mais ruim do que boa. É um jogo decente, eu suponho, mas meio que isso é até onde pode ser dito..




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