terça-feira, 7 de março de 2017

[OSCAR 2017] KUBO E AS CORDAS MÁGICAS (ou se você precisa piscar, faça isso agora)




Eu não sei vocês, mas eu meio que sinto falta de quando o principal objetivo do cinema não era adaptar obras já prontas de outras mídias, e sim criar universos fantásticos com suas próprias regras, realidades e mitologia. Filmes como Matrix e Inception, que não só contam uma história, mas ao mesmo tempo criam todo um mundo próprio, sabe?

Esse tempo pode já ter passado para o cinema em live action, mas a boa noticia é que para as animações esse momento é agora. Falaremos hoje do terceiro filme justamente indicado ao Oscar de melhor animação (junto com Moana e Zootopia), o fantástico stop-motion Kubo e as Cordas Mágicas.

As novinha pira quando toca Legião!
 Kubo é um menino caolho que vive em uma pequena aldeia com sua mãe doente. Kubo tem um violão mágico que lhe permite controlar o origami, e ele usa este dom para se apresentar para os moradores da cidade todos os dias e ganhar, assim, o seu sustento. Só que ele tem que ir para casa todo dia antes que a Lua surja. Por quê? Explicar isso é parte da rica mitologia do mundo do filme, e uma das coisas que o torna tão especial.

Um dia, Kubo é descoberto por seu avô, o Rei Lua, que quer pegar o outro olho de Kubo. Ele envia as irmãs perversas de sua mãe atrás do garoto, mas, com seu último pouco de força, a mãe de Kubo enfrenta as suas irmãs e envia Kubo para longe com apenas a ajuda da Macaca, um pequeno totem que ganhou vida. Enquanto a Macaca e Kubo percorrem o reino, eles recrutam o bem-intencionado, porém atrapalhado, Besouro, um ex-soldado que servia ao falecido pai de Kubo, e os três partem para encontrar uma espada mágica, armadura e capacete que ajudarão Kubo a derrotar o Rei Lua.

O relacionamento entre a Macaca, o Besouro e o menino (parece um capitulo das Crônicas de Nárnia essa frase) é uma das coisas mais interessantes do filme, com os três funcionando com uma metáfora improvisada de família. Tem até uma cena em que o Besouro e a Macaca mandam Kubo ir para o quarto dele e tampar os ouvidos enquanto eles tem uma DR.

A narrativa pode ser sobre um grupo improvável recuperando itens poderosos para derrotar um mal antigo, mas o coração da história está em manter a sua humanidade e em como a família permanece com você, mesmo quando você pensa que está sozinho. Em um filme menos bem feito, a jornada de três amigos esquisitos seria algo completamente comum (meio que é o que a maioria das animações faz, na verdade), mas, como aqui a construção da mitologia do mundo é tão boa, é totalmente compreensível porque a Macaca e o Besouro são do jeito que são, e não apenas “hey, é só uma animação para crianças, é para ser engraçadinho e só!”



A única coisa mais impressionante do que a boa química entre os personagens (o coração de qualquer filme sobre uma jornada) e a construção do cenário é a qualidade da animação feita pelo estúdio Laika (Coraline e o Mundo Secreto, ParaNorman). As texturas dos objetos e os pequenos detalhes (como os milhares de origamis que aparecem ao longo do filme) são de uma riqueza impressionante.
Filmado trabalhosamente em stop-motion, o filme consegue um meio termo muito raro em imiscuir magia na realidade. As coisas místicas e mágicas que acontecem no filme parecem realmente místicas e mágicas, especiais e únicas, veja só você.

O estúdio Laika é conhecido por combinar criatividade selvagem e escuridão em seus filmes, se aventurando muito mais profundamente do que a Disney ou mesmo a Pixar tende a entrar no reino da melancolia. Mas eles equilibram essa tristeza e o perigo com um humor e um visual tão impressionantes que você quase se esquece de que o que você está assistindo é terrível e doloroso às vezes.

Como cereja do bolo, o filme ainda tem um elenco de estrelas em sua dublagem como Charlize Theron, Ralph Finnes, Matthew McConaughey e Rooney Mara, todos excelentes em seus papeis (mesmo McConaughey dá uma disfarçada no seu sotaque inconfundível de Texano).

“Kubo e as cordas mágicas” é um daqueles filmes que evoca, como poucos, a magia do cinema, trazendo alegria, surpresa e reflexão durante sua duração. Honestamente eu acho que Kubo não é só uma das melhores animações de 2016, mas um dos melhores filmes do ano também.

OSCAR 2017 (2 indicações)
MELHOR ANIMAÇÃO
MELHORES EFEITOS VISUAIS (S. Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff)

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