sexta-feira, 3 de março de 2017

[CINEMA] LEGO: BATMAN (ou nem tudo é incrível pela segunda vez)

 

Reflexão. Toda resenha começa com um parágrafo de reflexão para o autor demonstrar que ele é uma pessoa interessante e sua opinião vale a pena ser ouvida.


Esse segundo parágrafo eu não sei bem o que faz, mas parece legal mesmo assim.

Que "Lego: O Filme" é uma das melhores animações dos últimos tempos ninguém pode discordar. E que o Batman daquele filme é um dos Batmans mais legais do cinema (verdade seja dita, a concorrência não colocou a barra tão alta assim também - do Batcard ao uaiduanaquilme o histórico é complicado) também é uma das verdades fundamentais da vida, do universo e de tudo mais. Então parece apenas lógico que o próximo filme da franquia com o cruzado embuçado seja um sucesso automático, certo? Certo? Err... certo?

Bem, mais ou menos... Lego: Batman se inspirou muito mais em Deadpool do que no primeiro filme do Lego, na verdade, e o filme é repleto de sacaneações com a indústria cinematográfica dos filmes de heróis ("Vão fazer o quê? Colocar vilões para enfrentar outros vilões? Que ideia idiota!"), e com meta-piadas sobre o Cavaleiro das Trevas como, por exemplo, ele ser um solteirão de 80 anos que ainda não superou a morte dos pais (a primeira HQ do Batman foi lançada em 1939). Ou com os frequentes reboots da imagem do homem-morcego na mídia como diversas "crises existenciais" do Batman (sendo que a de 66 foi a mais louca de todas, com certeza).

O filme faz muito bem em não só zoar os estereótipos do Batman, como também entende o que faz o Batman ser o Batman de uma forma que o Zack Snyder (que não vê nenhuma diferença entre o Batman e o Justiceiro) não poderia sequer sonhar. Mesmo a coisa do Batman ser invencível para os fãs (com um certo feeling de One Punch Man até), ou que socar bandidos um por um não resolve realmente o problema da criminalidade em Gotham (ou lugar nenhum, na verdade) está aqui. Esses são pontos definitivamente positivos do filme.

Tudo isso poderia ter sido um comentário interessante sobre o lugar que o personagem ocupa dentro da cultura pop contemporânea, mas meio que se perde em um roteiro extremamente repetitivo. Acontece que o objetivo do filme é dar uma de Lilo & Stitch e ensinar a ele que ohana significa família. O problema é que essa mensagem é repetida de novo, de novo, de novo e de novo durante a duração do filme. Você sai do cinema tendo assimilado a ideia mais por lavagem cerebral do que pela qualidade do filme em si.

Sério, eu já estava quase puxando uma de Samuel L. Jackson com o filme "Say 'family' again! I dare you! I double dare you motherfucker!Say family one more Goddamn time!". Porque, sério, o bastante é o bastante.

Certamente, os cinco escritores que reuniram este pastiche de Batmania fizeram seu dever de casa. Mas a história meio que já deu o que tinha que dar muito antes de encerrar com - você nunca vai adivinhar - um número de dança.

O que é uma pena, porque, quando o filme não está martelando sua lição de moral na nossa cabeça, ele é uma aventura bem interessante sobre o Coringa querendo que o Batman assuma o relacionamento deles (porque o Batman disse que eles deveriam dar um tempo e arqui-rivalizar outras pessoas), e para isso recruta os maiores vilões que a Warner tem à disposição como Sauron, Voldemort, Gremlins, a Bruxa Má do Oeste ... e uns robôs britânicos para fazer média com os nerds.

A dupla Phil Lord e Chris Miller (que atualmente está filmando o spin-off do Han Solo) definitivamente faz muita falta aqui. Na mão deles o filme acertaria completamente o passo e saltaria de apenas "é, legal" para uma experiência memorável, como foi o caso de Lego - O filme.


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