quinta-feira, 9 de março de 2017

[ANIMES] RElife (ou só se é adolescente uma vez... que bom!)



Eu ficaria muito surpreso se você nunca tivesse pensado em como seria ser adolescente novamente. Quer dizer, ser adolescente especificamente é uma merda, mas ter 17 anos de novo sabendo tudo que você sabe agora, como adulto, seria uma experiência maravilhosa, não?


Dependendo do quão ferrada é a sua vida hoje, só o fato de não ter responsabilidade nenhuma senão ir a escola já valeria a pena. Ainda mais como era na minha época, onde as notas não tinham significado algum na sua vida posterior. Quem terminava o segundo grau tirando 10 e quem terminava tirando 5 tinham eram tinham os exatos mesmos resultados. 

Além disso, a vida de colegial é uma molezinha. Apesar de estudarem coisas imbecis because o sistema de ensino é uma aberração, não é nem de perto tão complicado quanto ter um emprego. Perto de ter um emprego e contas a pagar, ser estudante é literalmente brincadeira de criança;

Quando a empresa RElife ofereceu essa oportunidade a Kanzaki Arata, foi exatamente isso que ele pensou. Se fudendo pra caralho na sua carreira profissional, não conseguindo nada melhor que boquinhas de meio-expediente (o equivalente japonesa a trabalhar no Mcdonnals) já caminhando para os 30 anos, Kanzaki foi selecionado pela empresa para ser cobaia de um experimento de uma droga que o faria ter aparencia de 17 anos novamente. 

Em troca ele teria todas as despesas pagas durante a duranção da experiencia e um emprego ao fim dela. Negocião, né?

Bem, para granda surpresa de Kanzaki (e de todos os adultos assistindo isso), ser adolescente não é tão fácil quanto nós gostamos pensar que é. Em primeiro lugar, ser um estudante japones do terceiro ano do colegial não é algo que se faz levianamente, é uma filosofia de vida própria.

Você pode pensar que alguém que até já se formou como Kanzaki tiraria isso na flauta, mas o que esses moleques estudam é quase equivalente a ser um monge tibetano. É uma rodovia de alta velocidade que você vai ser atropelado se não entrar no ritmo certo.

Outro problema é que, bem, ele não tem mais o corpo de um adolescente, não por dentro pelo menos. Isso quer dizer que as aulas de educação fisica são um desastre. O que essa meninada consegue correr e pular e fazer sei lá o que é algo que ele literalmente não fazia a mais de dez anos.

Em seus momentos de comédia, principalmente nos primeiros episódios, RElife é sobre Kanzaki se ferrando bonitaço achando que ia entrar nessa vida de colegial japones cantarolando com a mão no bolso. Isso para não mencionar o quanto as escolas mudaram nos últimos dez anos, eu nem tenho mais certeza de quantas séries existem, quanto mais os regulamentos dos colégios hoje em dia. Nem Kanzaki.

Esse choque de gerações é interessante de se assistir e segura a primeira metade da série. A partir da segunda metade ela se foca menos no humor e mais nos relacionamentos entre os adolescentes e...

... well, temos um problema aí. Se você é um adulto no meio de um bando de adolecentes, e o anime retrata isso bem - não incorre no mesmo problema de ERASED que não havia distinção de idade do protagonista em qualquer era - não tem muito que você possa realmente fazer ali. Quer dizer, são só crianças com suas bobagens de crianças que para elas são muito importantes, mas você sabe que nada daquilo é REALMENTE sério.

Então Kanzaki faz o que qualquer adulto faria nessa situação: fica por perto, dá alguns conselhos e tenta não se meter muito. É engraçado ver ele falando com as pessoas "da sua idade" como um adulto, inclusive colocando a mão na cabeça dos jovens - que é algo que os adultos sempre fazem quando falam com crianças em animes - mas isso é meio até que aonde o anime vai. É realista, de fato é assim que um adulto agiria, mas não é tão interessante assim de assistir.

Porque depois da metade da série Kanzaki fica meio que de lado e a série se torna um school drama comum. School Drama é o equivalente dos animes para Malhação ou Vampire Diaries: nada que alguém com mais de 15 anos vá realmente se importar, mas naquele mundinho são muito importantes.

Bobagem de adolescente, sabe? Se fulana senta com ciclana no refeitório, quem gosta de quem, a menina que se sente sozinha porque ela é a melhor de um esporte e todo mundo inveja ela, etc. Ok, eu sei que isso parece importante quando você tem 17 anos, mas tudo que o Kanzaki pode fazer é olhar e pensar "isso é fofo, mas vocês ainda estão jogando a vida no modo fácil".

Não ajuda muito que o elenco do anime seja uma coleção exemplar de estereótipos de anime: a menina tsundere, a garota fria sem sentimentos, o cara sem noção de que é popular, e por aí vai. É realmente uma pena que o anime gaste tanto tempo e energia com os seus aspectos menos interessantes.

Até porque quando não está versando sobre isso, o anime tem ideias muito interessantes. O motivo pelo qual Kanzaki é um "fracassado" e não consegue nada além de MCempregos por exemplo é muito bom. Não é "frescura de anime" ou algo do tipo, é um motivo bastante sólido. Inclusive Kanzaki realmente evolui como pessoa ao lidar com os jovens, e supera o problema que o impedia de ser um profissional bem sucedido. Mais ou menos.

Só que ao mesmo tempo o anime também decepctiona ao simplesmente não mencionar a empresa por trás do "experimento" de Kanzaki. Quem são eles? Porque eles estão fazendo isso e o que esperam ganhar com isso?

Esse assunto nunca é sequer mencionado, e esse é o tipo de coisa que eu gostaria de ver mais abordado no anime. 

No geral ReLIFE é um anime agradável que propôs um tema interessante, mas não abordar o tema tanto como deveria, já uqe seu foco principal muda para narrar um school drama bastante genérico, que parece ainda muito mais maçante uma vez que a premissa do anime era muito mais interessante

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