domingo, 27 de março de 2016

[GAMES] A LENDA DO HERÓI (ou eu vou me apresentar, sou o resenhador deste blogão)

Existem 3775 jogos indies (que não foram produzidos por nenhum grande estúdio) de ação na STEAM. Ou seja, conseguir se destacar entre 3775 jogos não é pouca tarefa, e posso dizer que "A Lenda do Herói" é um dos jogos que não só se destaca com uma ideia original como é um dos jogos que eu mais esperava para esse ano.

Mas é como dizem, grandes hypes trazem grandes responsabilidades.
SENTA QUE LÁ VEM A HISTÓRIA

Os irmãos Castro são youtubers brasileiros que não é estranho aos games. Seu canal tem alguns quadros muito bons como "Um Joystick um violão"



Tem que ser gamer pra caralho para lembrar de Winning Eleven (o nome antigo do PES, crianças) ou fazer referencia aos 103% do Castlevania

Os caras são gente como a gente, como dá para ver. Foi então que eles tiveram a ideia de fazer um musical sobre um joguinho fictício parodiando os clichés absurdos dos jogos de plataforma, nascia assim "A Lenda do Herói".



Tudo muito bom, tudo muito bem, mas aí veio a ideia de transformar o vídeo em um  jogo de verdade. Kickstarters depois, foi lançado nesse final de semana "A Lenda do Herói", o jogo.

MEGA WONDERMONICA THE HEDGEHOG NO CASTELO DO VILÃO

A Lenda do Herói é inspirado nas memórias de dezenas de jogos de plataforma dos anos 80/90, mas a inspiração mais notável é Wonderboy. Talvez o nome não seja tão famíliar, porque no Brasil ele foi adaptado pela Tectoy e lançado como "Monica no Castelo do Dragão"

A esquerda, nossa versão nacional com muito mais atitude.
Monica chutando portas FTW!
A primeira coisa que precisa ser dita sobre A Lenda do Herói é que ele é um jogo extremamente funcional: jogar é gostoso. Pular é satisfatório, bater nos inimigos é gostoso. É um jogo de plataforma bastante redondinho no que ele se propõe a fazer - e um relativamente moderno, já que você ganha power ups e pode voltar nas fases anteriores para pegar itens que você não conseguia alcançar anteriormente.

As batalhas com os chefes são particularmente boas, pois os chefes tem padrões de ataque ao estilo Mega Man e puta merda, quanto tempo lutava com um chefe tendo que aprender o padrão dele e esperar para atacar, muita nostalgia isso.

O jogo é extremamente competente no que se propõe a fazer e caçar os pedacinhos de jogos clássicos de onde saem as referencias é um minigame a parte, mas como eu disse, existem 3775 jogos indie de ação na Steam e tenho certeza que no mínimo minimo mesmo ao menos uma centena também é um jogo de plataforma competente. Não é isso que faz o jogo ser especial (DICA: também não é ser um jogo nacional que torna especial, eu não poderia cagar mais para isso).

A parte realmente que destaca o jogo entre todos os demais é sua trilha sonora, e não consigo lembrar de algum outro jogo que repita essa experiência

"A estatua dispara uma flecha, só pode ser magia
Até onde sei as cobras não estudaram engenharia."
SERPENTES QUE DEIXAM ITENS POR MERO CAPRICHO,
ESTRANHA É A DIETA DESSES BICHOS


Assim como no vídeo do youtube, toda a aventura do herói é narrada conforme o que está acontecendo na tela. A programação do jogo ajusta a letra sendo cantada pelos irmãos Castro a parte da fase que você está passando e o timing é perfeito: poucas vezes você fica sem nada sendo cantado no jogo.

Eu realmente não consigo imaginar o trabalho que foi programar isso, com certeza foi uma proposta tremendamente ousada e funcionou direitinho!

Então o jogo é realmente uma versão jogável dos vídeos, eles realmente fizeram isso funcionar! É uma ideia nova e criativa, mas sobretudo, divertida.

Se mais nada o jogo valeria apenas por isso, mas casou dele ser feito em cima de um jogo redondinho. O que mais eu poderia pedir?

"Mais uma dúvida tenho nesta minha empreitada
como a cobra chegou nesta plataforma isolada?"
TAQUEOPAREO VOU TACAR ESSE CONTROLE NA PAREDE

Como todo jogo recém lançado, ele tem alguns bugs que serão concertados com patchs nas próximas semanas. Na verdade considerando que os jogos AAA (o equivalente a blockbusters dos games) costumam ser INJOGAVEIS nas primeiras semanas (ou meses), não tem nada particularmente digno de nota aqui que atrapalhe a sua diversão (embora eu não me incomodaria com uma cutscene no final ou algum menu explicando o que os itens colecionáveis fazem).

O que atrapalha sua diversão são as escolhas intencionais da equipe criativa do jogo: como essa porra é difícil. Difícil mesmo, mais difícil do que escrever Arnold Schwarzenegger, mais difícil que nadar de poncho e bombacha, mais difícil do que fazer gargarejo de bruços, mais difícil do que varrer escada acima.

A questão não é que apenas as fases tem um design difícil, o maior problema é que se acabar o seu numero de vidas você volta ao começo DAQUELE MUNDO INTEIRO. Cada "mundo" é composto por três fases mais o chefe, então se acabarem suas vidas lutando com o chefe já elvis mermão, volta para o começo sem choro nem vela, nem as moedinhas que você coletou você leva,

No mundo final é pior ainda: são duas fases, dois chefes, mais duas fases e mais dois chefes. Se acabarem suas vidas, começa de novo.

Eu sei que a ideia era evocar a nostalgia dos games de plataforma dos anos 80, e de fato eu lembrei porque não sinto nenhuma saudade daquela época. Prepare muitos xingamentos, frustração e ímpeto de atirar o controle na parede como você não sentia desde os tempos do Nintendinho.

Claro, eu sei que para muitas pessoas isso é mais um incentivo do que um problema e talvez eu apenas esteja velho demais para isso, mas de forma alguma inviabiliza um jogo divertido e bem feito sobre uma ideia única (algo raro nos videogames hoje em dia) muito bem executada

Quer dizer, não tem como não enfrentar o chefe Aguia Tempestuosa e não abrir um largo sorriso (e isso que as lutas com chefes não são cantadas). Se você entendeu a referencia, você é descolado.



E este foi o lendário dia que eu apareci nos créditos de um videogame.
Se me dissessem que isso aconteceria quando eu era um garotinho jogando os jogos que inspirara A Lenda,
eu jamais teria acreditado.



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