domingo, 24 de janeiro de 2016

[OSCAR 2016] The Big Short (ou não tem nenhum adulto tomando conta das coisas na verdade)

Narrativa é um campo maravilhoso e eu não falho de me impressionar com a velha máxima na hora de escrever um roteiro (seja para um livro, filme ou jogo): "Não é O QUE você conta, é COMO você conta".

Você pode ter um anime delicioso sobre um tema nada especial como apenas duas garotas rachando um apartamento em Tóquio, e pode ter um anime mortalmente tedioso sobre algo que deveria ser épico como robôs gigantes arremessando galáxias uns nos outros. .

Trazendo para os indicados ao Oscar de 2016: The Revenant consegue a façanha de ser modorrentamente chato com uma história que deveria transpirar epicidade por cada poro. Paralelamente a isso, The Big Short ("A Grande Aposta" no Brasil, até porque o termo do poker ao qual o titulo se refere não possui tradução) consegue ser um bom filme sobre um assunto que pode até ser bastante interessante mas de forma alguma material para filme indicado ao Oscar: a crise imobiliária-financeira de 2008. Só de pensar na expressão "títulos imobiliários" já começo a sentir as pálpebras pesando.

Como um filme sobre isso poderia ser bom? Resposta: não é O QUE, é COMO

O QUE SÃO HIPOTECAS E PORQUE ISSO IMPORTA

"Hipoteca" é uma tradição da cultura norte-americana que quase não existe aqui porque a constituição brasileira proíbe esse tipo de coisa na maior parte dos casos. Funciona assim: você pega um empréstimo e dá sua casa como garantia caso não pague (pode ser outras coisas também como seu carro ou seu escravo até pouco tempo atrás, mas para a versão com a casa é a mais popular e importante para essa história).

A lógica de segurança da coisa é muito simples: ninguém é louco de jogar sua casa fora pegando um empréstimo que sabe que não vai conseguir pagar. Isso é tão enraizado no cotidiano dos americanos que as taxas de juros são as menores do mercado e embora você possa fazer um empréstimo comprovando renda (como funciona por aqui na maioria dos casos), normalmente não compensa. É mais fácil e barato (principalmente em termos de juros) apenas hipotecar seu imóvel e depois pagar o empréstimo. Você mantém sua casa e o banco tem o dinheirinho dele de volta.

Talvez seja um pouco mais complicado do que isso na prática
mas a ideia da coisa é essa.
Não é emocionante, mas todo mundo fica feliz. E caso você não consiga pagar (por qualquer motivo que seja), bem, são as regras do jogo e você devia ter pensado nisso antes de entrar nessa brincadeira. Se fodeu mermão.

Esse é o principal motivo de hipotecas serem quase inexistentes no Brasil: você nunca vai conseguir tomar a casa de ninguém na justiça (em parte porque a legislação dá margem a isso, em parte porque os juízes levam mais em conta coitadismo do que contratos legais na hora de decidir qualquer coisa por aqui), logo os bancos não emprestam dinheiro sob uma ameaça que sabem que não vão conseguir executar. Existem hipotecas e equivalentos a níveis empresariais e de investimento, mas ao cidadão comum essa modalidade é quase inexistente

Entendemos o que são hipotecas? Parece sólido, simples e funciona bem, certo? Porque é.
E é aí que começa o problema.

O quão provável é o banco receber o dinheiro e não é ter que tomar a casa do sujeito é classificado com notas de risco. Normalmente os bancos fazem hipotecas para pessoas que tem condições de pagar salvo um enorme desastre natural ou uma má fé monstruosa, essas dividas são classificadas como AAA porque são as melhores - o retorno é quase 100% certo. A classificação segue com títulos AA, A, AB, BBB, e por aí vai.

Se o Pica-Pau tivesse comunicado o Good Guy Greg,
nada disso teria acontecido
Quanto mais improvável é da pessoa pagar a dívida pior a nota de classificação desse título. Esses títulos de dívida lixo - que na prática você sabe que jamais vai ver a cor desse dinheiro - são chamados de subprime.

Lembre disso, porque é importante.

O que acontece é a partir dos anos 90 as financeiras pequenas (imagine tipo o BMG ou a Fininvest) começaram a fazer hipotecas a moda louca para pessoas que eles sabiam que não tinham como pagar.

Ora, pra que eles faziam isso? Certamente eles jamais veriam a cor desse dinheiro e na melhor das hipóteses (se tudo corresse bem) você acabaria atochado de imóveis sem ter o que fazer com eles.

A resposta é simples: eles faziam um pacotão dessas dívidas (tipo pegavam mil empréstimos pequenos de pessoas físicas) e revendiam a bancos maiores. Como a confiança no sistema de hipotecas era tão grande e daria tanto trabalho auditar isso, os bancos grandes nem se davam ao trabalho de checar uma por uma as dívidas individuais que estavam no pacote, apenas contavam que aquele pacote de dividas que estavam comprando era dinheiro liquido e certo para receber.

Xii... Parece, no mínimo, imprudente, certo?

Some a isso um certo grau de picaretagem das financeiras menores (e corrupção dos bancos grandes) e muitos títulos subprime eram socados em pacotes de dividas que deveriam ser AAA. Alguns pacotes de dividas (chamados de CDO) que deveriam ser AAA na verdade eram compostos por 95%, as vezes até 100% de títulos subprime.


CDOs: expectativa vs realidade
Ajuda muito que as agências de classificação fossem corruptas e incompetentes como o cão. Então não é que os bancos grandes não soubessem realmente que estavam comprando um monte de títulos que não valia porra nenhuma, eles sabiam e faziam as agências de classificação pintarem como se fossem bons.

Ah, mas ninguém questionava as agencias de classificação? Não. Ninguém. Wall Street era incompetente ou corrupta, o que para propósitos dessa história dá no mesmo. Quem vigia os vigilantes, afinal?

Então muito do dinheiro, mas muito mesmo (lembre-se que hipotecas são mais comuns na cultura estadunidense do que empréstimos consignados para aposentados e pensionistas por aqui)  com o qual os bancos trabalhavam não existia de verdade. Eram apenas títulos de papel que valiam menos do que material que foi gasto para imprimi-los - e os bancos ou sabiam disso ou não se importavam em checar (o que dá no mesmo, na verdade).

Quando um banco dizia "eu tenho 100 milhões na reserva" ele se referia a títulos que não valiam bosta nenhuma. E ele emprestava esses 100 milhões, cobrava juros e fazia todas as coisas que os bancos fazem com dinheiro. Foram criadas carteiras de poupança e outras operações de investimento, tudo em cima de um monte de dinheiro que não existia de verdade.

Imagine então que esse era o pilar de sustentação do sistema financeiro da maior economia do mundo.

Agora me diz: qual a chance disso dar merda?  Pois é.
Em 2008 deu. E não foi pouca.

“In Bakersfield, California, a Mexican strawberry picker with an income of $14,000
and no English was lent every penny he needed to buy a house for $724,000.”
Michael Lewis, The Big Short: Inside the Doomsday Machine
OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE FINANCEIRO

O filme se baseia na história real de Michael Burry, um analista de investimentos que um dia teve a ideia de abrir os pacotes de títulos de dividas (CDO) que sustentavam a economia americana e constatou o óbvio: ele estava podre por dentro. Quase todo o sistema estava operando com dinheiro que não existia, quando a conta disso chegasse seria um desastre.

Então ele decidiu usar isso para ganhar muito dinheiro. Ele fez diversos seguros que o indenizariam caso o sistema quebrasse, aos quais os bancos aceitaram com muita alegria.

"O que? Uma apólice de seguros cara pra caralho contra uma coisa que nunca vai acontecer? Claro senhor, podemos fazer uma apólice de 100 milhões para o senhor... *murmurandomas já que nunca vai acontecer mesmo, idiota *fim do murmúrio* não quer pagar mais 20% e subir para 200 milhões?"

Ele fez uma grande aposta contra o sistema financeiro (daí o nome do filme) e o fim da história todo mundo sabe como foi. Alguns poucos outros investidores encontraram, as vezes por acaso, as vezes por competência, a trilha de migalhas de pão deixadas pelo visionário Michael Burry e entraram nessa jogada também.

O personagem de Christian Bale, inspirado na história real de Michael Burry, é o primeiro a enxergar a crise. Como? “Fazendo o que ninguém fez: olhando”. Por décadas as dívidas imobiliárias foram pagas em dia, o que transformou o negócio em uma certeza. Em certa altura, alguém no filme pergunta: “quem deixaria de pagar a hipoteca?”.

Burry não acredita apenas na classificação de risco de calote dada pelos bancos e começa a investigar as casas hipotecadas. Quem são os donos? Qual a parcela de seus salários eles usam na hipoteca? Onde eles trabalham? Qual a taxa de inadimplência?

Assim ele descobre que os bancos foram dando empréstimos com garantias de retorno cada vez mais frouxas. As taxas de juros cresciam em caso de inadimplência e tornavam as dívidas impagáveis. A base do mercado de hipotecas estava podre e o sistema havia crescido de maneira irresponsável.

O filme acompanha quatro grupos de investidores (Michael e mais três times) durante essa brincadeira.

Um dia veremos a Margot Robbie fazendo alguma coisa que
não seja ser a gostosa seminua, mas esse dia não será hoje
(e acredito muito que não será em Esquadrão Suicida também)
MAS COMO SE FAZ UM FILME DISSO?

Como dito, a história da quebra do sistema financeiro americano (e por tabela, mundial) é uma história muito interessante, mas como transformar isso em um filme de duas horas e não um documentário que induz narcolepsia?

A chave está nos personagens. O filme tem personagens críveis com os quais podemos nos relacionar ou admirar mesmo que eles estejam tratando de assuntos que não nos interessariam normalmente. Todas as atuações dos protagonistas estão acima da média. Eu não reconheci o Brad Pitt, Ryan Gosling nunca foi tão engraçado, Christian Bale transmite com perfeição a coisa do gênio incompreendido e eu não sei como Steve Carell não foi indicado ao Oscar com seu paladino financeiro que ama ser infeliz.

Eu poderia assistir um filme com esses personagens sobre qualquer coisa mesmo (principalmente o Mark Baum de Steve Carell), ser sobre o colapso do sistema financeiro foi apenas um detalhe. Mesmo que você não entenda o macro do que está acontecendo ou o que está em jogo (já chego nessa parte), individualmente as cenas deles são auto-suficientes e gratificantes.

UM DIRETOR DE COMÉDIAS PASTELÃO PARA A MAIOR PASTELONICE DA HISTÓRIA

A outra parte do que mantém o filme interessante é justamente o diretor Adam McKay. Talvez o nome não lhe seja famíliar, mas ele é o diretor famoso por comédias de imbecilidade surrealista como "O Ancora", "Os outros caras" e "Ricky Bobby - A toda velocidade". Basicamente qualquer filme do Will Farrell.


Um filme com o padrão Adam McKay

Adam McKay se consagrou fazendo comédias que são tão imbecis que chegam a ser engraçadas que sua escolha e estilo acabam se encaixando perfeitamente para contar ESSA história.

"Mas espera", você pode dizer, "isso não é uma comédia!". Ah, não é? Porque pareceu pra mim.
Quando a história é contada, de como tudo isso chegou a esse ponto, de como é patentemente obvio a merda que ia dar depois que você explica como as coisas funcionavam que eu não consegui segurar um riso nervoso surreal durante metade do filme.

"Isso não pode ter acontecido" foi a minha primeira reação. "Não é possível que ninguém tenha parado para ver o todo e percebido a merda que ia dar, não pode ser sério isso" foi a segunda. E por aí vai. É tão absurdo, é tão surreal que se o que aconteceu no mundo real não pode ser classificado como uma comédia então eu não sei do que chamar.

Logo, o estilo de Adam McKay se encaixa como uma luva para contar uma história absurda dessas que aconteceu de ser verdadeira.


Um dia eu verei a Karen Gillan em um
filme e não esperarei que algo horrível
aconteça com ela. Mas esse dia não será hoje
EU QUERO UM HIP, UM HOP, UM HIP HOP HEY!

Transformar essa pataquada histórica em um filme para leigos não é fácil, e essa acaba se transformando na maior fraqueza do filme.

Em primeiro lugar o filme se esforça muito, mas muito mesmo para parecer cool. O que talvez tivesse funcionado se ainda estivéssemos nos anos 90. Infelizmente parece muito mais um nerd querendo andar com as pessoas legais da escola, com os resultados que poderíamos esperar disso.

Então entre explicações sobre títulos subprime, COD e AAA, temos tomadas muito maneiras e iradas mano, porque é pra ser "descolado, não ligue para essas coisas de nerd, somos maneirões cara". Sério, a câmera nervosa ao estilo Tropa de Elite não é a melhor escolha e filmar um semidocumentário semicomédia como se fosse um filme de ação não tem o melhor efeito desejado.

O filme realmente parece que foi editado para ser um clip de rap dos anos 90. e eu disso isso no sentido mais brega e menos legal da palavra.



A sensação de assistir o filme é mais ou menos a mesma de quando a Pinkie Pie tentou contar a história de Equestria através de um clip de rap dos anos 90. O objetivo aqui é o mesmo, só que sem pôneis cor-de-rosa. Acredite, funciona muito melhor com pôneis cor-de-rosa.

De modo geral a estrutura do filme lembra muito "O Lobo de Wall Street" (com quebra da quarta parede e cameo da Margot Robbie) só que enquanto o filme de Leonardo DiCaprio é elegante e descolado, The Big Short parece se esforçar demais para ser cool ao invés de apenas ser naturalmente.

Como a edição desse filme foi indicada ao Oscar de melhor montagem está além de mim.

Christian Bale foi indicado a melhor ator coadjuvante por esse
filme, o que eu achei bem confuso: achei que ele era o protagonista.
Afinal não é ele que usa o bermudão?
(The big short, hã, entenderam, hã?)
OUVI DIZER QUE TEM UMAS COISAS DE PRIME NESSE FILME, QUANDO APARECE O OPTIMUS PRIME?

Se a edição do filme é um dos seus maiores problemas, a tradução da narrativa para leigos é outra. Vê, uma obra sobre um tema muito complexo tem de ser acessível mesmo para quem não entende porra nenhuma do assunto. Mesmo que você não entenda 100% do que eles estão falando, tem que entender sobre o que eles estão falando e qual a importância daquilo no contexto geral.

Por exemplo, eu sei muito pouco sobre como funciona a mecania política americana e o melhor que eu posso fazer é tentar traçar um paralelo com o fluxograma da política brasileira - o que eu sei que está errado, existem algumas coisas que funcionam de forma muito diferente. Isso não impede, no entanto, que eu aprecie House of Cards porque a série faz essa tradução muito bem.

Mesmo que eu não compreenda os termos que eles estão utilizando, a série explica - sem parecer condescendente ou parecer que está explicando - o que eu preciso saber. Sobre O QUE eles estão falando e qual a importância daquilo. Você não precisa entender muito de politica para entender House of Cards.

Essa citação de Marcos Gemêo que abre o filme,
e de certa forma o define.
Da mesma forma, Mr. Robot não exige que você entenda o básico sobre como funciona ser um hacker para gostar da série. Você não precisa saber o que é um debugging ou um swap para entender a série, ela te dá os talheres para digeri-la conforme avança e é assim que deve ser feito.

The Big Short trata de um tema igualmente obscuro e complexo, e eu tenho minhas duvidas se ele é tão acessível assim quanto deveria ser. Se você já não tem uma boa noção de como funciona o sistema econômico americano, do que é uma hipoteca ou do que é um subprime, contar apenas com o filme para te explicar isso não funciona tão bem assim.

Claro que o filme tenta ser didático, tem uma cena do chefe de cozinha explicando a gambiarra que as financeiras faziam para socar subprimes em pacotes de títulos de notas altas e uma cena da Arlequina explicando o que são CDOs numa banheira. Mas tudo naquele ritmo de hip hop que permeia a edição do filme de modo que se você já não faz uma boa ideia, não é agora que vai entender.

E entender isso é muito importante para apreciar o filme, ergo, tem uma falha fundamental na experiência aí.

NÃO PODE SER SÉRIA UMA PORRA DESSAS

Quando o Lehman Brothers (um banco de investimentos de 158 e um dos mais sólidos do mundo até então) quebrou dois dos protagonistas entram na sede esvaziada dele para "dar uma olhada". Eles ficam surpresos com o que veem: parece uma daquelas sedes de fraternidades depois de festa que vemos em filmes.

“Charlie and Jamie had always sort of assumed
that there was some grown-up  in charge of the financial system
whom they had never met; now, they saw there was not.”
Michael Lewis, The Big Short: Inside the Doomsday Machine   
Chocado, seu colega lhe pergunta o que ele esperava encontrar e a resposta é direta: "Adultos". Nós, seres humanos, temos uma tendência natural de nos agrupar em torno de figuras de liderança (sejam elas físicas ou institucionais) e acreditar piamente que elas sabem o que estão fazendo. Acreditamos que o mundo é dirigido por adultos responsáveis que treinaram e estudaram para isso, e isso não poderia ser mais longe da realidade. Eis a grande piada dessa comédia involuntária.

Em uma das melhores cenas de Armageddon, a equipe de perfuração de petróleo de Bruce Willys é informada pela NASA que o plano para salvar a Terra de um meteoro era mandar eles até o meteoro, cavarem um buraco e colocarem uma bomba dentro dele.

A reação dele é perfeita: "Não pode ser ESSE o plano, vocês são a NASA! Vocês devem ter uma equipe com as melhores mentes do mundo trabalhando em alguma coisa nesse exato momento!". Não tinha. Assim como não havia um time secreto de super gênios trabalhando para tirar uma formula magica e adulta para salvar o mundo, a economia mundial não está na mão de adultos muito sérios e responsáveis que sabem o que estão fazendo. Não é o que acontece aqui

Você passa metade do filme perplexo sobre o quão absurda é a realidade que julgamos tão sólida e administrada com responsabilidade.

McKay faz isso o tempo todo, Ryan Gosling, Brad Pitt, Christian Bale e Steve Carell fazem isso o tempo todo, representando, mais que seus personagens, algumas das reações que temos diante do ocorrido. Aproveitadores, incapazes, incrédulos. "Como a gente é burro" é a sensação recorrente.

No fim, a reação pode se resumir a isso:



Só de um filme sobre o mercado imobiliário conseguir te tirar alguma reação já é prova suficiente do quanto o filme funcionou e infinitamente mais do que se pode dizer sobre o provável ganhador do Oscar (The Revenant). Se você parar para pensar, poucos filmes conseguiram de verdade te causar esse tipo de reação.

Ah sim, e o filme todo mundo sabe como acaba: quase do dia para a noite, mais de 5 trilhões de dólares desapareceram do sistema financeiro mundial.

O sistema financeiro entrou em colapso, países que dependiam fortemente de crédito (como a Grécia e a Espanha) quebraram, o dólar passou dos 4 reais (levando os preços de tudo consigo), 1 em cada 5 pessoas no mundo ficou desempregada, mais de um milhão de pessoas perderam suas casas só nos Estados Unidos (não consigo pensar em nenhuma tragédia natural recente que tenha tido esse efeito) e incontáveis milhões mais ficaram financeiramente arruinadas (aposentadorias, poupanças, planos de saúde e previdência, tudo isso desapareceu).

E nenhum dos responsáveis foi punido (a exceção de um único cara, que deve ter conseguido encontrar o pior advogado do mundo, não é possível).

Mas ao menos a grande aposta de Michael Burry pagou e ele lucrou quase 500% no seu investimento. Apenas a título de curiosidade, seu próximo grande investimento é em relação a água. Já comecei a estocar.



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