domingo, 27 de dezembro de 2015

Star Wars VII: O Despertar da Força (ou o filme que teria sido salvo por uma máscara)

Se tem algo que eu não queria fazer ao escrever sobre Star Wars era ter que discutir politicamente correto, guerreiros da justiça social ou lições primárias de como fazer um roteiro ou escrever um personagem. De verdade, do fundo do coração. Eu queria poder apenas dizer como BB-8 é o robô mais fofo da história do cinema, como Finn recupera o nome dos Stormtroopers (que até então eram só motivo de piada na série) e como Luke tem o tratamento de mestre jedi que merece por parte do filme.

Eu queria, mais do que tudo no mundo, mais até do que meia hora sozinho preso em um elevador com a Jéssica Nigri, não ter sentido falta do jeito pateta do George Lucas de dirigir e ter me divertido como eu me diverti na primeira meia hora de filme. De verdade, tão honestamente quanto eu poderia desejar algo, eu queria essas coisas.

A NEW HOPE 2.0

O filme começa como uma versão mais badass e foda do episódio IV de Star Wars. Ou seja, o Império entra chutando a porta da frente na toquinha dos rebeldes e captura a princesa (a princesa aqui é o Raj de Caminho das Índias), mas em um esforço desesperado a princesa Raj esconde informação vital para os rebeldes em um droide.

Mais pra frente o garoto manezão do planeta deserto (aqui, a Uber Rey Maravilha Perfeita e Invencível) encontra o droide e deve levá-los até a Resistência não sem antes dar uma passadinha na base do inimigo.

Poe Dameron supostamente deveria ser um dos protagonistas
do filme, mas sua participação foi limada ao ponto da
irrelevância para caber mais demonstrações do quanto a Rey
é invencível, incrível e foda.
Ok, É o mesmo filme, mas quer saber? Eu não me importei até esse ponto porque era mais uma releitura do que um remake cena por cena e sim uma nova interpretação com novas ideias. E caralho, ideias muito boas!

Pela primeira vez, vimos os Stormtroopers sendo badasses e chutando bundas sem anotar nomes. Uau, de saco de pancadas de Ewocs a maluco do lança chamas, foi uma evolução e tanto. E quando o vilão do filme, Kylo Ren, entra em cena, ele para um tiro de blaster no ar! Uhuu! Aliás, ele é tão foda que não só para o tiro como esquece dele lá, claramente nem foi grande coisa para ele.

Caralho, se é assim que esse remake vai rolar então estou a bordo do hype train!

Ajuda muito também que BB-8 não tente ser apenas uma cópia do R2-D2 e consiga ser o robôzinho mais carismático e fofo safadinho da história do cinema. Enquanto o R2 é um baixinho foda mas resmungão e rabugento, BB-8 é tão cuti-cuti e sabe disso, o canalhinha! Oww!

Antes que percebamos temos nosso pequeno grupo de heróis improváveis dando de cara com a Millenium Falcon por puro acaso e logo em seguida com Chewbacca e Han Solo porque o universo nem é tão grande assim mesmo, né?

Mas tudo bem, até o momento estava tudo divertido. Tinha explosões, tinha alivio cômico não intencional com Finn sendo o pior Stormtrooper de toda Primeira Ordem, B8 ganhando nossos corações, a incursão a base inimiga havia sido tão pateta quanto se pode esperar de Star Wars, muito pew-pew-pew e muitas referências à série clássica. Tipo muitas mesmo, mas ok, so far so good.

Owwww
Ok, não tão bem assim. Algumas coisas começaram a me soar estranhas. Logo que Finn e Rey entram na Millenium Falcon, o stormtrooper afrodescendente vai para o canhão da nave (afinal, ele é um soldado) e Rey senta na poltrona do piloto com resultados desastrosos. A Millenium Falcon se arrasta desengonçada na areia e Finn faz o que pode para mantê-los vivos na artilharia. Fica claro que Rey não sabia pilotar, oh noes, e agora?

Para piorar a situação, o canhão da Millenium Falcon é atingido e Finn não consegue mais mirar, será este o fim de Finn? (sim, eu quis muito fazer essa piada).

Bem, não. Do nada, em uma fração de segundo, Rey subitamente aprendeu a pilotar a Millenium Falcon e faz manobras muito loucas que deixam os pilotos veteranos e treinados dos Tie Fighters comendo poeira e chuta a bunda deles. Certo... pareceu estranho, mas hey, pode ter sido sorte, certo?

Talvez... mas como Han Solo disse uma vez muitos anos atrás: "Eu tenho um mau pressentimento sobre isso". E olha, ele acabou de dizer de novo, porque é um filme sobre referências, certo? E... ah, olha só, a Rey está ensinando ao HAN SOLO como a MILLENIUM FALCON funciona. É, eu realmente tenho um mau pressentimento sobre esse filme...

Ou um Magnum da Kibon.
A HORA DE DEIXAR O NINHO É QUANDO A JIRIPOCA PIA

Uma hora (metade do filme) e Force Awakens já esgotou sua dose de homenagens à trilogia clássica. Ok, chega de homenagens, chega de bajulação. Que bom que a memória afetiva e a infância de todo mundo já foi massageada (e bem, eu não tenho muitas reclamações quanto ao fan service, exceto que metade do filme é só isso mesmo) e está na hora de começar a construir as coisas por conta própria.

Já vimos toda a galera das antigas, já vimos a Millenium Falcon chutando bundas e uma cena linda das X-wings sendo badass, show de bola, tudo lindo, hora de finalmente começar o filme!

Afinal, vai ser apenas um especial de homenagem aos fãs ou vai ser um bom filme por si mesmo? Já deu uma hora de filme, vocês já ganharam todas suas boas reviews dizendo aos fãs o que eles queriam ouvir então está na hora de ser seu próprio filme, belezona!

Mas então, sobre o que mesmo é esse filme? Achei que seria sobre entregar o mapa que leva até Luke para os rebeldes (essa frase não faz muito sentido, mas ok...) mas isso já aconteceu na metade do filme. Então sobre o que vai ser daqui pra frente?

Eu não fazia a mínima ideia, mas pior que isso, tampouco fazia JJ Abrams. Claramente, ele só tinha pensado até a parte de fan service e agora tem mais uma hora de filme pela frente. E agora, José?

ESPERAÍ, QUEM ESTÁ LUTANDO CONTRA QUEM MESMO?

Ok, regra número um de roteiro: deixe bem claro o que está em jogo. "Quem está disputando contra quem e quais as consequências disso" é tão básico que nem deve ser ensinado num curso sobre roteiro: se você não sabe disso então está no ramo errado.

Temos então que o filme acabou e eu ainda não entendi quem estava lutando contra quem ali. Ok, supostamente depois da queda de Palpatine (queda, viram o que eu fiz aqui? Hã? Hã? Hã) o Império voltou a ser República. Claro que nem todos ficaram felizes com isso e alguns reclamam que "no tempo do Império que era bom" e que "a Estrela da Morte só matou terrorista", pedindo a volta dos militares do Império com punho de ferro - eis o vilão do filme, a tal "Primeira Ordem".

Isso é o que o filme nos diz, mas o que ele diz não é o que acontece na tela porque na prática a "Primeira Ordem" tem recursos infinitos, zilhões de tropas, star destroyers e uma Estrela da Morte 2.0 que agora dispara estrelas. A República, por outro lado, parece ter menos recursos do que a Aliança Rebelde tinha no episódio IV.

Tauó não é tauó se não tiver uma invasão a base repleta
de risadas.
Não tem Star Destroyers, não tem tropas, não tem nada. Tem uma dúzia de pessoas e meia dúzia de X-Wings. Espera, como assim? Não entendi essa logística nem um pouco.

O que eu estou vendo na tela é o Império vs meia dúzia de gatos pingados de rebeldes pior ainda do que era no episódio IV, mas como isso? Por quê? Não deveria ser assim e não entendo que luta é essa porque o que o filme te diz não é o que ele te mostra na prática. Eu não preciso me alongar muito em explicar o quanto isso é cinema ruim, ainda mais em uma parte tão importante da história como "POR QUE AS COISAS ESTÃO ACONTECENDO". 

Obviamente, JJ Abrams não poderia se importar menos, porque ele já ganhou os fãs com a primeira metade do filme, nada do que ele fizer daqui pra frente vai lhe tirar as reviews positivas que ele sabe que vai ganhar então pew-pew-pew pra você!

ESTRELA DA MORTE 2.0

Eu realmente preciso falar disso. Quando um mangá de luta não sabe o que fazer com sua história, inventa um torneio. Quando um videogame não sabe que inimigos colocar no jogo, usa os mesmos com outras cores. E quando Star Wars não sabe o que fazer como ameaça enfia uma Estrela da Morte.

Riram do Macgarenth quando ele quis colocar um motor
na Terra para sair voando com ela pelo universo! Riram!
Como JJ Abrams já tinha ligado o foda-se mesmo e "é Star Wars, então enfia uma Estrela da Morte aí" na metade do filme é mostrado qual será o Mcguffin dali para frente: destruir a Estrela da Morte construída pela Primeira Ordem. Oh, que ameaça terrível!

Mas não se preocupe, porque os rebeldes (porque eles são os rebeldes mesmo, alem de para ficar parecido com o primeiro filme?) tem um ex-funcionário dos esgotos que conhece o ponto fraco da estrutura de uma coisa muito importante para impedir que a Estrela da Morte 2.0 imploda sozinha.

Quer dizer, se o cara que trabalhava nos esgotos sabe então QUALQUER um sabe, não? 
E porque fizeram apenas uma dessa "coisa tão importante" e deixam ela ali sem guarda nenhuma? De novo, eu sei que o objetivo é fazer um remake do episódio IV, mas o filme poderia ao menos TENTAR dar uma explicação? Sério, só um esforcinho, mesmo, poderia ser? Não? Não pode ser? Não vai rolar?

Tirando se esforçar ao máximo para fazer uma paródia de Star Wars, não existe nenhuma explicação para a motivação do filme. O que é uma pena, porque visualmente a Estrela da Morte 2 é muito legal (ela foi construída em um planeta que sai dando rolê por aí) e dispara estrelas que vaporizam sistemas solares inteiros. Visualmente é muito incrível, mas não tão incrível se não tivesse um enorme carimbo de "ESTOU CAGANDO PARA O FILME, APENAS ERA A DESCULPA MAIS CURTA"

THE STORY SO FAR

Então, até agora, temos um conflito entre duas partes muito mal explicadas envolvendo uma arma que virou motivo de piada cujo objetivo é dar uma de Freeza e dominar o universo destruindo tudo na força bruta. E você achando que nunca ia sentir falta das sutilezas políticas de George Lucas, hã?

Mas tá, ao menos nosso Star Dragon Ball Z Wars pode pelo menos ter bons personagens, bons vilões e heróis marcantes... certo? CERTO?

Kylo Ren ao seu dispor.
UM VILÃO PARA MATAR... DE RIR

Até metade do filme Kylo Ren se mostra um vilão interessante e com potencial. Ele é muito forte, sim, mas tem questões a lidar como personagem. Não só por viver a sombra do que foi Darth Vader para o Império como dentro da própria Primeira Ordem ele não tem muito respeito - ou seja, tem que pavimentar seu caminho até o topo e essa é uma escalada interessante para um personagem.

Essa aura de interesse e mistério dura até o preciso momento em que ele tira o capacete, aí o filme oficialmente desanda e é muito dificil segurar para não rachar de dar risada com a cara do sujeito. Fisicamente mesmo, ele é hilário. Kylo Ren lembra muito o típico nobre almofadinha banana, sabe o estereótipo? Pois é, o Kylo Ren é a imagem desse sujeito esculpido em carrara.

Fica muito difícil levar a sério o cara quando você espera que a qualquer momento o herói da história baixe as calças dele, lhe deixando de ceroulas ridículas enquanto ele esbraveja com voz esganiçada uma ameaça infantil.



Mas mais importante do que isso, Kylo Ren não tem motivação nenhuma para fazer o que faz; o que o deixa parecendo apenas um adolescente mimado birrento. É revelado que ele é filho de Leia e Han e nenhum motivo lhe é dado para ser "du mauuuuu" a não ser que ele está passando por uma crise de aborrecência.

Aparentemente, o único motivo dele para se dedicar ao lado negro é porque pareceu muito descolado e maneiro, coroa, ser darki e du mauuuu. E quando aparece ele lutando para não ser seduzido pelo lado careta da Força eu só posso achar hilário, como um adolescente discutindo com a mãe que tem que manter sua imagem de "ser das trevas".

A máscara dele parece um bico de pato.
E agora você nunca mais verá ele sem pensar nisso.
O único sentimento que Kylo Ren me desperta é vontade de dar uns tapas nele e mandar criar pelos no corpo antes de dizer que sabe alguma coisa sobre a vida, o universo e tudo mais. Para piorar ainda mais, fica bastante claro que ele sempre teve tudo do bom e do melhor e que seus pais inclusive fizeram o que podiam para ajudá-lo a lidar com a Força, mandando-o treinar com seu tio Luke (por acaso o ÚNICO jedi do universo).

Ou seja, nem a desculpa Harry Osborn de "papai não me ama, vou ser  mauuuuu" serve aqui porque no filme Leia e Han parecem pais profundamente preocupados com seu filho. Só posso imaginar que Kylo Ren esteja passando por uma crise de adolescência.

Isso é um desenvolvimento muito, mas MUITO ao tão criticado Anakin dos episódios I e II. A atuação do moleque podia não ser boa, mas no papel ele tinha motivos para sentir medo, raiva e ser tentado pelo lado negro. Aqui não, aqui parece que ele está só dando chilique pelo prazer de dar chilique.

Na verdade, as guardas seriam exaustores porque
o sabre de Kylo Ren é todo desregulado, assim como
ele próprio. Mas ele tem um  jeito tão de banana
que é dificil pensar nele desse jeito.
E MESMO QUE nos outros filmes consertem a cagada, agora já foi. Primeiro porque se o personagem não funciona em um filme porque ele vai ser consertado depois então o filme não funciona como obra individual. E segundo que o estrago já está feito.

O Anakin do episódio III é um bom Anakin dentro do que se pode esperar do personagem mas é dificil analisar isso porque há a mancha da construção ruim nos filmes anteriores. Mesmo que nos episódios VIII e IX baixe o Peter Capaldi no garoto e ele entregue a atuação da vida dele, vai ser dificil dissociar o Kylo Ren do príncipe Wu que matou o pai porque queria um PS4 e ganhou um XBOX One.

UMA MOCINHA A ALTURA DO VILÃO

Ok, essa é uma conversa que eu não gostaria de ter. De verdade. Eu não assisto ficção científica para isso, mas já que a protagonista do filme é sobre isso vamos lá.

Tradicionalmente, as mulheres sempre foram muito maltratadas no entretenimento. Seja como meros objetos ou objetivos no cinema, não precisa ir muito longe para ver que tratar as mulheres com respeito na cultura pop é algo relativamente recente.

A motivação de Kylo Ren, pelo que o filme passou.
Curiosamente, Star Wars é um dos poucos casos onde isso NÃO aconteceu. Leia sempre foi retratada como uma mulher forte, inteligente e independente que não precisava ser salva por ninguém (tanto que uma das minhas cenas favoritas é quando o Luke fica embromando e ela tira a arma da mão dele no melhor "daqui que eu mesma me salvo!"). E quando o Jabba tentou objetificá-la como uma mera mulherzinha, bem, isso não acabou bem para ele, acabou?

O mesmo pode ser dito de Padmé, tirando a medonha participação dela no episódio III, ela é uma mulher forte, corajosa e inteligente.

Como eu disse, Star Wars não sofre e não sofreu do mesmo mal, por exemplo, que é a vergonha de assistir Star Trek em 2015 na forma que as mulheres são tratadas. E se não está quebrado não precisa consertar, certo? 

A lista real de suas habilidades é quase o dobro disso
e ela faz todas essas coisas MUITO MELHOR que os
experts na área sem nunca ter treinado.
Infelizmente, não em 2015. Em 2015, na internet ou você está com os Social Justice Warriors ou está contra eles, e JJ Abrams entrou com os dois pés no trem do politicamente correto não ofensivo. Imagino que em seu elenco ideal a protagonista do filme seria uma mulher transexual negra tetraplégica, mas obviamente não vivemos tempos progressistas o bastante...

Seja como for o filme precisava (mesmo?) ser protagonizado por uma mulher forte, independente e inteligente... meio como as que sempre foram as personagens principais em Star Wars. JJ Abrams entendeu isso como ela sendo absolutamente perfeita em tudo.

Rey pilota a Millenium Falcon melhor que o Han Solo mesmo nunca tendo pilotado qualquer nave antes, sabe wookie e droide fluentemente mesmo tendo vivido a vida toda em um planeta onde não existem wookies ou academias cientificas, vence no cabo de guerra da Força um Sith treinado meramente ao despertar seus poderes e vence com o sabre de luz o mesmo Sith ainda que nunca tenha pego uma espada na vida, entre várias outras coisas incríveis.

Mais precisamente, tudo que Rey faz é incrível, maravilhoso e perfeito e todos os personagens ao redor dela ficam constantemente repetindo o quanto ela é incrível, única e impressionante (mesmo que não seja da personalidade do personagem fazer isso). Em literatura, Rey é o que chamamos de "Black Hole Sue", uma evolução da Mary Sue onde o cânon do universo se distorce para exaltar o quanto ela é maravilhosa e única.

The very laws of the universe bend to accommodate her. If there's only one in a million chance she could succeed at something, she'll accomplish it with flying colors. If the logical outcome of the story would end in her failure, a Deus ex Machina will ensure her victory. Nothing is too implausible for her to accomplish, whether it be going from Rags to Royalty, killing an Eldritch Abomination, or bringing about world peace. If she is so inclined, she may do all that before sitting down to a breakfast consisting of the original story.

Como Rey conhece que o truque jedi
de manipular mentes existe?
Repare que eu não perguntei como ela sabe
fazer isso, eu perguntei como ela sabe que
isso sequer EXISTE.
Fisicamente, moralmente, intelectualmente e em níveis de poder, ela é absolutamente perfeita. Em outras palavras, a Rey é uma personagem ruim de fanfic e toda segunda metade do filme é sobre ela sendo incrível, maravilhosa, invencível e perfeita (ao passo que personagens legais do filme como Finn e BB-8 são chutados para os bastidores).

Em uma das cenas mais icônicas do filme, Finn enfrenta Kylo Ren usando um sabre de luz. Os resultados de um amador enfrentando um Sith treinado são óbvios e Finn treme mais que vara verde, escapando por pouco com sua vida. Excelente. Aí surge a mais destreinada ainda Rey, toma o sabre das mãos de Finn e dá uma sova no vilão do filme que o faz passar vergonha, porque afinal Rey é invencível e perfeita em tudo o que ela quer fazer - mesmo que não faça sentido dentro do universo do filme.

A única explicação que eu consigo pensar é visualizar o JJ Abrams abraçado ao roteiro do filme, levantando a perninha e dizendo "nos meus sonhos, ela sou eu!"

This middling writing we’re expected to excuse because Rey is the “strong female character” archetype, but as usual, the focus on political correctness overshadows competent writing. In the original trilogy, Luke awakening to his destiny took two movies, and even then, he could not best Vader without losing a hand. The scene in the ice cave where Luke calls his lightsaber to him and defeats the wampa is iconic because it represents his development as a Jedi, something that he couldn’t manage in the first movie. The Force Awakens echoes that scene with Rey, except she wins a Force tug-of-war against the movie’s Darth Vader analog. (A symbolic triumph of female empowerment over the patriarchy.) Tellingly, not even Lucas’s abysmal prequels suffered such nonsense, even with the “Anakin Skywalker as the Chosen One” arc.

Rey consegue levar o prêmio de pior arco de personagem da série toda, disputando na unha com Jar Jar Binks no episódio 1. E quando esse é o seu parâmetro de comparação, então algo muito errado você está fazendo.

Claro que ninguém vai realmente comparar a Rey com o Jar Jar Binks porque ela é linda e é uma mulher protagonizando um blockbuster em 2015, mas em termos de desenvolvimento de personagem, credibilidade e suspensão da descrença, eu diria que os dois estão pau a pau.

Eu não vou nem entrar no ponto do quão idiota e sem sentido
foi a não participação de R2 no filme, a falta de coerência e o
foda-se para explicar isso no filme ou porque
ele tinha todo 95% do mapa o tempo todo e não contou.
RESULTADO FINAL

Force Awakens começa como um agradavel remake do episódio IV (o melhor da série na minha opinião) mas o combustível de nostalgia acaba antes da metade do filme e nada funciona como deveria. O vilão é uma piada, a heroína faz Crepúsculo sentir inveja de tamanha perfeição em uma pessoa só, a guerra não faz nenhum sentido (já que em nenhum momento é explicado quem está lutando contra quem) e a "ameaça" virou uma paródia de si mesma.

Claro que isso não vai importar para muita gente porque vem embrulhado em uma apresentação visual linda, fan service a dar com pau e politicamente correto (o que implica que ninguém da imprensa pode falar mal do filme sem ser linchado na internet como racista misógino).

Como quase tudo que o JJ Abrams faz, ele fez algo visualmente muito adequado e sua competência visual só é superada pelo quão descartáveis seus produtos são.

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