quinta-feira, 5 de novembro de 2015

The Flash - Quem vigia os vigilantes? (resenha da 1a temporada)

Tudo que eu tinha a dizer sobre a primeira temporada já foi dito magistralmente nesta matéria aqui. Eu gostaria apenas de falar sobre um aspecto que me incomodou muito mesmo, e que de certa forma define a temporada inteira da série.

Imaginemos uma adolescente chamada Bruna Alana. B. Alana é uma jovem muito bonita - realmente dá gosto de olhar para ela - e possuí não apenas boas intenções, como boas ideias para discutir sobre assuntos muito interessantes. Infelizmente, no entanto, B. Alana nunca desenvolve plenamente nenhum desses assuntos porque está mais interessada em tratar de coisas da sua idade que fariam qualquer um com mais de 14 anos revirar os olhos de tédio.

Também convenhamos que seria muito mais interessante de se acompanhar se ela passasse menos tempo babando por aquele machinho babaca da sala dela. Bem menos.

Em suma, Alana tem uma boa aparência, um bom coração e uma boa cabeça, mas serão necessários uns bons anos até que os hormônios da juventude se estabilizem e ela se torne uma pessoa a qual um adulto poderia realmente considerar se enamorar.

Obviamente eu não estou falando de nenhuma garota, estou falando do seriado do Flash.

Flash é um seriado com uma ótima proposta e um visual (na maior parte do tempo) bastante gostoso de assistir que tenta ser interessante e complexa. O que seria maravilhoso, não fosse o fato que essa trama interessante e complexa é escrita com uma preguiça e uma falta de qualidade que fariam uma industria chinesa se sentir envergonhada.

Eu não vou me alongar muito nos aspectos positivos do Flash porque eu já falei deles neste artigo, e até a metade da temporada onde tudo é bem café com leite a série muito mais acerta do que erra. Somente na hora que as coisas ficam sérias é que você começa a perceber o quanto ela é porcamente mal escrita e feita tão de qualquer jeito que chegam a brochar.

Não precisa ser gênio para imaginar que misturar viagem no tempo com roteiros porcos não tem como dar certo, mas eu queria que os problemas da série se limitassem aos pontos chaves da trama. Não, o vazamento de merda escoa pelo encanamento todo e não tem simpatia de Barry Allen (que é um nerdzinho bastante relacionável) que salve.

Como quase todo mundo, eu comecei a série deveras encantado como tudo era simpático, colorido e não tinha vergonha de lembrar que é uma série de super-heróis. Não é difícil gostar de The Flash. Só que em certo ponto teve algo que começou a me incomodar em uma coisa muito em particular: os meta-humanos.

Quando Barry derrotava os caras maus os mocinhos os trancavam em celas isoladas no subterrâneo dos laboratório STAR porque era o único lugar que podia conter os poderes deles. Ok, certo, trancar pessoas indefinidamente em uma solitária de 2x2 sem nenhuma interação humana era uma solução provisória e eles estavam tendo que improvisar, show de bola, acontece.

Aí a série foi passando, eles começaram a empilhar gente confinadas em solitárias, já tinha passado um ano dentro do seriado e ninguém tocava no assunto. Isso foi gerando um mal estar porque enquanto Barry e seus miguxos riam e tomavam sorvete, ou tinham discussões idiotas sobre seus relacionamentos chatos, tinha gente a mais de ano presa no escuro em uma cela de 2x2 com nada a fazer senão olhar para as paredes. Puta que me pariu, nenhum criminoso na série chegou a estes níveis de vilania, poucos vilões nos quadrinhos se sentiriam confortáveis com esse tipo de atrocidade.

Barry Allen e sua gangue que são os verdadeiros monstros de Central City.

Quão irônico pode ser quando você fala dos criminosos
como uma cruza de Satan Goss com Godzilla mas na
realidade é pior do que eles?

Mas ok, eu imaginei que apenas os roteiristas não queriam tocar no assunto ou desenvolver a questão - o que por si só já seria de uma preguiça impar mas não inédito na TV. Só que aí a preguiça se junta com a pura incompetência e a coisa fica feia mesmo.

Quando o assunto é mencionado é tratado de uma forma tão sem sentido que você custa a acreditar que alguém tenha se dado ao trabalho de revisar o roteiro. Por exemplo, é dito que uma solução melhor não pode ser oferecida porque "oficialmente" o governo não reconhece a existência de meta-humanos. Raios teleguiados misantrópicos duplos, então isso é desculpa para deixar pessoas apodrecendo em um regime de tortura que faz a prisão de Guantánamo parecer uma colonia de férias?

Beleza, lindo. Façam isso se quiserem, mas não tentem me convencer de que qualquer uma dessas pessoas é o herói da história e não um sociopata monstruoso. Quando uma solução é oferecida, pelos motivos mais errados possíveis, de transferir os prisioneiros para a ilha onde o Arqueiro mantem seus super mutantes quase dois anos de carcere privado e tortura psicológica já haviam se passado. O Coringa bateria palmas para o pessoal dos laboratório STAR - e isso não é nenhum tipo de elogio.

Claro, eu estou super analisando uma coisa que claramente apenas os roteiristas não quiseram pensar e quando pensaram o fizeram com tanta preguiça que só fez mais mal do que bem. Eu sei disso. Só que a SÉRIE INTEIRA é feita com esse padrão de (falta de) qualidade. Toda ela.

Termos científicos são jogados aleatoriamente apenas porque ninguém tirou três segundos para ler na Wikipedia o que significavam. Tipo o cara que construiu uma arma que atingia a temperatura de Planck como se fosse uma pistolinha de raios normais apenas porque ele gostava de fogo. Não vou explicar o que é, apenas tire três segundos para jogar isso no Google e você já terá se esforçado dez vezes mais que os roteiristas da série.

Ou então que o Flash é capaz de abrir um portão temporal atingindo ao correr na estonteante velocidade de... MACH 2. Eu ri quando ouvi isso, nem fanfic é tão ruim assim. Novamente, tire três segundos da sua vida para jogar isso no Google e veja o quão mal escrita essa série é.

Como eu disse, toda série é pontuada por esse indescritível padrão de qualidade. Temos vilões com ridículos (como a garota que controla abelhas... dando trabalho para o cara que corre mais rápido do que balas), problemática estupida (Deus, o Flash Reverso colocou esse gerador de energia do futuro que eu não sei como funciona alimentando o reator... não tem ABSOLUTAMENTE NADA que eu possa fazer para desativar o sistema mesmo tendo acesso irrestrito a todo o reator. Não, nada), e plot twists que se baseiam em pura imbecilidade humana (como o professor Wells, com seu COMPUTADOR DO FUTURO MEGA FODA, não ter como desprogramar um holograma do computador... repare que o Cisco não estava procurando por isso, ele simplesmente ligou o computador e opa, tava lá o segredo do vilão).

Faltando quinze minutos para acabar
o episódio espremeram uma luta de
equipe do nada. Pq o tempo para aturar
os chiliques da Iris tem que vir de algum
lugar, não?
Quando a Iris descobre a identidade do Flash é uma das cenas mais patéticas da história da televisão. Como ela descobriu? A porta do laboratório tava aberta e ela foi entrando, pegou o Barry trocando de roupa. Metade das cenas do laboratório se baseia no pressuposto que a porta tá aberta e qualquer um entra e pega o alto comando dos mocinhos confabulando com as calças na  mão. Eu não tenho palavras para descrever o quão mal feito isso é.

Mas ok, eu aceito a trama ser vergonhosa recheada por subtramas infantiloides poderia ser passavel se os personagens fossem aceitáveis. Barry Allen tem bons momentos (nem todos), o professor Wells é de longe o melhor ator da série e a dupla Cisco/Caitlyn funciona de uma forma atrapalhada mais ou menos como a Felicity funciona (quase sozinha) em Arrow.

Claro que a Caitlyn ser a médica mais burra da história da humanidade e nunca ter se dado ao trabalho de perguntar em termos mais leigos possíveis o que eles fazem naquele laboratório não ajuda). Também não ajuda muito o Cisco ser um Deus Ex-Machina em pelo menos 20 episódios, com sua capacidade de inventar cagando com tanta força para a coerencia do cenário que deve ter criado uma montanha na China tamanha a potencia que seus jatos anais impactam contra o solo.

Para um cara que de move mais rapido do que o olho pode ver,
é absolutamente fácil agarrar o Flash pelo pescoço
E aí não tem suspensão da descrença que dê conta, amigo. Quanto acontece uma ou duas vezes você releva, mas depois da décima você já parou de se perguntar se é algo que você deve ficar instigado ou é apenas mais um furo de roteiro preguiçoso. Ou seja, simplesmente para de se importar.

"I don't care what happens to these people.". As oito palavras mais perigosas que podem ser ditas sobre um roteiro.

E não me faça começar sobre Iris West.




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